quarta-feira, 21 de maio de 2014

Restaurante 3 Pipos - Tondela

Restaurante 3Pipos em Tonda, mesmo à entrada de Tondela, facilmente encontrado na rua principal pela entrada peculiar com uma frontaria em forma de gigante pipo de vinho com um 3 no topo. 

Espaço com lojinha de vinhos e produtos regionais à direita, dividido por diversas salas revestidas por paredes de pedra, cheio de recantos, e com garrafas de vinho espalhadas pelas janelas, alfaias agrícolas, objectos antigos. 

Recepção simpática, atendimento muito eficiente. Entradas muito variadas, entre enchidos, queijo, excelente pão e broa, fritos. Aposta forte nos Bacalhaus, mas com outras opções desde Polvo, à Vitela ou Cabrito.

Optámos pela Lagarada de Bacalhau (com opção de meia dose, 10,50€) que estava magnifica. Perfeitamente demolhado, bacalhau de óptima qualidade, muito bem servido. Em seguida Cabrito assado (também com opção de meia dose 12€), igualmente maravilhoso, guarnição também no ponto, revela mãos sábias e "calejadas" na cozinha. Mais uma vez, tudo muito bem servido. Sobremesas regionais, escolhido o Leite Creme (2,50€).
Carta de vinhos espectacular, muito bem organizada, várias propostas em todos os tipos de vinho, grande destaque para a região em que se insere (Dão) como deveria ser sempre. Óptimos preços, 9,50€ por um Cabriz Reserva Encruzado é muito atractivo e percebe-se que realmente aqui o vinho é preponderante e muito bem tratado.

Enfim, sem dúvida uma referência, num ambiente acolhedor, serviço muito atencioso e simpático, sem falhas (mesmo com as salas a rebentar pelas costuras num Domingo ao almoço), com comida de grande qualidade, que merece sem qualquer dúvida uma visita propositada de vez em quando e que deverá visitar se estiver pelas bandas. Para os enófilos também será um óptimo abrigo para uma refeição especial.

Aconselha-se reserva porque de facto terá um amplo clube de seguidores, e como é merecido!

Restaurante 3 Pipos
Rua de Santo Amaro, 966
Tonda - Tondela
http://www.3pipos.pt/
3pipos@gmail.com

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Capicua "Casa no Campo"

Capicua, "Casa no Campo"

... de Elis Regina aos livros da Anita, um caso sério da nossa música nortenha.

http://www.capicua.pt/

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Time for T., às cinco e a qualquer hora do dia...

Os Time for T. são uma banda com génese em Brighton (UK) com mão e alma portuguesa, e uma onda encantadora e um "bom feeling". 

"Phone Sex" é a faixa que me captou a atenção, retirada do EP Dream Bug, num folk descontraído mas marcante (se não soubesse, como aqueles jurados do The Voice, diria que é Devendra Banhart, e enganava-me...) com um som muito interessante e que muito me agrada, algures entre o tal Devendra e qualquer pitada vintage de Beach Boys ou Supertramp. 

Seja como for: entusiasmo, celebração, colorido que tanto precisamos.

Estão em Portugal para uma pequena tour, a começar hoje no Porto, e amanhã (10/04) passam por Coimbra no incontornável Salão Brazil e valerá de certeza a comparência a quem possa.

...Well I don't like Phone Sex 
but if we're on Skype I don't mind, 
seeing a nipple or two...

http://timefortmusic.com/
https://www.facebook.com/timefort

terça-feira, 25 de março de 2014

                                                                                                                 ...
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
...

em "Quase Um Poema de Amor"
Miguel Torga

segunda-feira, 17 de março de 2014

Manifesto pela importação de cérebros, pra variar...

Passos Coelho viaja entre hoje e amanhã para Berlim para encontro com a nossa governadora-mor Angela Merkel. 
Não sei se vamos a tempo, mas eu propunha a contratação imediata pela TAP de dois ou três pilotos malaios para esse voo.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Assim falou Alex Atala, chef brasileiro do D.O.M.

"A gastronomia nunca descartou nenhuma das fases por que passou (...) e seguirá não descartando nada nem ninguém. Pelo contrário, nós vivemos hoje um momento mundial onde a gastronomia é cada vez mais generosa, menos competitiva e mais aberta a receber informações da tecnologia ou da antropologia, das ciências exactas e das ciências humanas, e isso faz com que a gente viva uma cozinha de paz, de alegria, de sublimação, de prazer. As pessoas tentam categorizar muito. É impossível.”

“Sou cozinheiro há 27 anos e quando comecei a ser cozinheiro já não era só isso, já era preciso ter competências administrativas, saber gerir uma cozinha. Nesses anos, uma série de outras coisas aconteceram: começámos a dar aulas, a escrever livros, a falar na televisão, a usar o computador. Tudo isso era novo para a gente. Assim como a nova geração aprendeu a usar o computador melhor que nós, vai também aprender a usar os ingredientes melhor do que nós, e a geração a seguir melhor ainda. Esta é uma evolução que a cozinha pode ter: mais consciência, mais sabedoria, uma acção um pouco mais profunda no acto de não somente servir comida.”

palavras de Alex Atala, o chef-estrela punk rockeiro brasileiro da actualidade, numa entrevista muito interessante e rica em ideias e pertinências de discussão, ao Público aqui.

Restaurante D.O.M. de Alex Atala, considerado o 6º melhor do mundo em 2013

sexta-feira, 7 de março de 2014

Projeto Fragmentos sobre a demolição da Alta de Coimbra

O "Projeto Fragmentos" é um projecto desenvolvido por Nádia Paim Duarte, no âmbito do trabalho para conclusão do Mestrado em Design e Multimédia, na Universidade de Coimbra e traz uma visão muito interessante e que desconhecia sobre o processo de demolição de casas na Alta de Coimbra para a construção dos novos edifícios da Universidade de Coimbra, a partir de 1943. 


Os últimos Salatinas, como eram conhecidos os residentes da Alta, recuperam e deixam registado em testemunho filmado o que se lembram da altura. Além dos testemunhos, fotografias da Alta anteriores à demolição, num projecto fantástico e muito pertinente. Penso que está lançada a base para um projecto ainda mais conseguido e completo, sobre um processo que transformou radicalmente a cidade e os seus habitantes. Apresentado de forma muito acessível e original no site, numa espécie de barra de correr (não cronológica mas geo-referenciada), ao longo da zona e do mapa da Alta.
É de facto curioso imaginar como seria hoje a Alta, se tivesse mantido o seu casario e as suas travessas... e já agora, as pessoas que de lá foram despejadas. 

O projecto foi apresentado recentemente no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra http://www.youtube.com/watch?v=rjRt4sfol-g

terça-feira, 4 de março de 2014

Nova entrada na biblioteca - Poemas de Deus e do Diabo, José Régio

Nova entrada na biblioteca. E hoje, como sempre.















Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

"Homemnidades I"

Poder olhar para um aparelho eléctrico avariado, e afirmar categórico:
 Isso é do termóstato...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Um Adeus Português a Fernando Tordo...

Um dos nossos mais recentes emigrantes, Fernando Tordo vai para o Brasil em busca de uma vida com oportunidades, com possibilidades, enfim com futuro. Aos 65 anos, como diz o filho, sozinho e de guitarra na mão, é obra. 

Dá-me uns ares de tragédia, e é mais uma triste inevitabilidade como tantas outras infelicidades do país em que vivemos. Mas de facto trágico seria não termos tido e não continuarmos a ter Fernando Tordo, na sua genialidade artística e dignidade enquanto artista, na sua rectidão e pertinência enquanto português. E não termos o tanto que nos deu, enquanto povo, de cultura e ar fresco em momentos de escuridão, e não se esqueça também isso: que este homem imprimiu bem fundo no ADN português, coisas como a liberdade, o pensamento crítico, a coragem de espírito livre, e que essa é uma herança que não se apagará. E que é bom nunca esquecer. 
E se este país o sufoca, o mirra como a tantos outros, então só ganharemos com a sua partida, porque teremos o que precisamos (e talvez até nem o mereçamos), de mais, de muito mais Fernando Tordo. 
dizia que o país lhe morria
porque fugia do que lhe doía
matando-o por dentro
Fernando Tordo

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

tiradas de música

... Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes gestos naturais

Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo mais fundo
Tins e bens e tais

Caetano Veloso, 1984

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Refeiçoar. (v) Refazer-se; tomar refeição; acto da refeição (alimentação)

o que é de facto incrível, é chegar a esta altura da vida sem nunca ter refeiçoado...

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014


Foto Ryan Matthew Smith

o exacto instante em que a clara de ovo de transparente se faz branca, é um poema em si mesmo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

José Quitério, personalidade na gastronomia de sempre...

O grande exemplo e a apuradíssima lucidez aos 71 anos do nosso Larousse Gastronomique em forma de gente, o gigantesco José Quitério que recebe agora justamente a distinção de Personalidade do Ano na Gastronomia 2013 pela revista WINE - A Essência do Vinho. 
Uma figura quase erimítica e mitológica, que não precisa de motores de busca ou Wikipedias, senão dos índices e livros da sua biblioteca pessoal e da sua máquina de escrever. 
Sempre acutilante e crítico com o entusiasmo mediático em torno do universo da gastronomia, diz "Está excessivamente na moda. A palavra gourmet já não quer dizer nada nos dias que correm", citando o Expresso, jornal onde escreve as suas críticas gastronómicas desde 1976.

Leia-se também a propósito esta excelente reportagem sobre críticos gastronómicos
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-vida-dos-criticos-de-gastronomia-1438895

Estou a ler actualmente o seu delicioso "Livro de Bem Comer"  de 1987, e é espantoso também perceber a capacidade e o nível criativo da sua escrita na crónica, muitas vezes profundamente poético e sempre altamente erudito, a fazer jus aos seus ídolos literários pela elevação da sua escrita.  
Pela obra, pela postura e ética, pela contribuição incomensurável à gastronomia portuguesa e sua história, ele até aceitou o prémio, mas será sempre pequeno e insignificante perante tal figurão.  

Notícias aqui:
http://expresso.sapo.pt/jose-quiterio-eleito-personalidade-do-ano-na-gastronomia=f853534
http://mesamarcada.blogs.sapo.pt/revista-wine-premeia-os-melhores-do-535806

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A Caminho do fim?

É giro quando nos podemos começar a citar a nós mesmos, e trago à baila, a propósito de recentes notícias e mexidas no mercado editorial português (de que a recente saída da obra de Saramago da editora Caminho é caso mais recente e sonante), um post meu de Novembro 2008 aqui no blog, altura em que João Ubaldo Ribeiro saía da Dom Quixote. 
O título "Terá começado a deserção?" prenunciava algo que me parecia possível e perigoso com este aglutinar de editoras referenciais portuguesas pelo grupo Leya, que de facto trouxe descontentamento entre vários autores, de diferentes editoras que este grupo juntou. A postura sempre me soou a estratégia selvática de monopolização e eliminação de concorrência pelo método mais simples e óbvio: a aquisição em série de editoras, numa visão mercantilista da área livreira e que permitiria uma gestão fácil do produto, dos autores, das vendas, da promoção dos mesmos, e uma adulteração das regras básicas do mundo editorial. 

Ao fim de 5 anos, temos os resultados - uma generalização de mau-estar e desagrado de vários autores que se têm sucedido. A ver: Mário Carvalho havia já deixado a Caminho para ingressar na Porto Editora que reeditou recentemente a sua obra; Miguel Sousa Tavares sai igualmente com a sua obra (assim como a obra de Sophia Mello Breyner saíra da Caminho) e espelha bem o seu sentimento nesta entrevista ao Público - "a Leya partiu do princípio que juntando várias editoras faziam sinergias e conseguiam fazer melhor, mas isto não é como juntar as salsichas Nobre com as salsichas Aveirense”. Na sua opinião, este grupo “matou a identidade das editoras” que agregou desde a sua fundação, em 2008. “Não creio que o grupo Leya esteja vocacionado para a edição de livros.”

João Tordo também saiu para a Porto Editora, e agora Saramago (que, ainda vivo na altura da compra da Caminho pela Leya, curiosamente demonstrou desagrado juntamente com Lobo Antunes...) deixa a Caminho e Zeferino Coelho, editores de sempre do autor, também para a Porto Editora.

Pelos vistos, percebemos agora que sinergia é diferente de supressão selectiva, e penso até ser um bom sinal esta postura de autores que admiro e que põem a sua obra e a escrita acima de qualquer outro valor, e que não abdiquem da sua identidade parece-me uma louvável constatação. O posicionamento deste grupo Leya dá agora os seus inevitáveis podres frutos e a extinção de editoras que eles vêem como meras marcas dentro da sua lógica empresarial, será o caminho que me parece evidente, numa equação de "leia-se apenas o que se vende, e venda-se o que vende". O resto é carga morta que ficará pelo caminho, azarinho.   

Numa perspectiva mais profunda, é confrangedor o estado a que chegou o nosso sector livreiro, e a propagação de uma linha e lógica de vendas mainstream com uma oferta absurdamente limitada a poucos títulos, a adesão atomizante a pretensos best-sellers estrangeiros de literatura de cordelinho que enchem as prateleiras das nossas livrarias onde se torna uma missão cada vez mais impossível encontrar os nossos geniais autores que deveríamos estar a ler e que deveriam ter o destaque primordial e distintivo que merecem. A bem de nós, da nossa língua e da nossa cultura.  

foto http://abibliofila.blogspot.pt/
Por outro lado, começam a surgir novas investidas, pequenas editoras, pequenos focos de diversidade e vida que na minha opinião irão aumentar, editando novos e interessantes autores, e o público, assim espero, irá em busca deles como sempre, como dantes. 






E que venha de lá a saudosa livraria de rua, de bairro, selectiva na sua oferta, especializada no atendimento, que não tenha corredores de livrinhos dentro de saquinhos de tecido atados com lacinhos que por acaso trazem dentro umas letrinhas, mas que tenham apenas tudo o resto, a essência dos livros e da literatura...