segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

tiradas de música - Alfie

"I believe in love, alfie.
Without true love we just exist, alfie.

Until you find the love you've missed you're nothing, alfie.
When you walk let your heart lead the way
And you'll find love any day, alfie, alfie."

Hal David, 1966

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

os óculos na testa, o penso no dedo: a incapacidade de ver e de fazer.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Programa "NOVOS AUTORES" Domingo à 1h na RTP2

O programa "NOVOS AUTORES" da Sociedade Autores é do melhor que se faz actualmente na televisão portuguesa. Como de costume, transmitido na RTP2 ao Domingo a partir da 1h da madrugada (a horas impróprias... merecia muito melhor) e em parceria com a Antena3 (que o transmite também ao Domingo às 10h da manhã).

Moderado pelo enciclopédico Henrique Amaro e pelo Luís Oliveira, ambos "antena3istas", de modo impecável e inteligente, que vão pontuando as conversas sempre com pertinência e tacto, com conhecimento sólido e profundo das matérias, deixando fluir naturalmente os temas e reflexões dos intervenientes: sempre dois autores da música actual e contemporânea, de diferentes áreas e abordagens à arte.

O facto de recorrer exclusivamente a músicos (cantores, compositores) portugueses da actualidade (diria da vanguarda contemporânea), torna a coisa muito interessante, e tem dado um retrato pessoal muito íntimo de todos eles, tem feito perceber os mecanismos da sua criação, da sua obra, da sua forma de pensar e estar na arte e na vida, e trazido intersecções e interacções muito conseguidas entre os dois convidados. 

Uma abordagem nova, fresca e "cheia de sumo" que é óptima de acompanhar, de artistas e pessoas que tenho como grandes referências da nossa música actual (de Samuel Úria, a Jorge Cruz, Sam The Kid a Márcia, Pedro Silva Martins - Deolinda a Tó Trips, enfim...) e que fazem um retrato fiel dos artistas enquanto jovens, e dão conta da diversidade e óptimo momento criativo que atravessa a música portuguesa, como ar fresco e sadio que tanto precisamos nos tempos que correm.

Todos os episódios disponíveis no RTP Play, aqui:

Estado da arte do programa 
Numa iniciativa conjunta entre a RTP2, a Antena 3 e a Sociedade Portuguesa de Autores resulta o programa NOVOS AUTORES, uma série de 12 programas que se traduz num ciclo de conversas que se desdobram num programa de rádio e de televisão. Cada sessão tem a duração de uma hora e é preenchida por uma conversa com dois novos autores, que serão entrevistados por Henrique Amaro e Luís Oliveira.
Autores relacionados com a música portuguesa são convidados a expressar as suas ideias em variados temas, a mostrar a sua atividade, a sua visão do país e do mundo, as suas expectativas e frustrações. O carácter inovador desta parceria e do seu conteúdo tem como objetivo estimular e perceber a música portuguesa como um conceito plural, com várias pistas a seguir e com uma produção que atravessa vários géneros nestes encontros entre criadores e público. Também fica favorecida a contribuição para a divulgação de novos autores e das suas obras numa perspetiva diferente da habitual, ou seja, não se limitando a apresentar apenas os trabalhos mais recentes, mas dando destaque ao processo de criação autoral considerando que os novos tempos oferecem práticas diferentes e cada músico interpreta essas novas ferramentas de modo particular.
Gravações no Auditório Frederico de Freitas da SPA

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Restaurante Marquês de Marialva - Cantanhede


Espaço magnífico, num antigo solar no topo de um pequeno largo do centro de Cantanhede (Largo do Romal), dividido por várias salas de lugares variáveis, mas com muito bom gosto, permitindo privacidade e tranquilidade a todos os comensais. Decoração clássica, requintada mas simples, com destaque para os vinhos da Bairrada expostos pelo espaço. 
Menu e preços afixados num grande painel à entrada (apesar de já não estarem actualizados).


Recepção muito simpática pelo anfitrião (José Carlos Guerra) que aqui se apresenta há uns incríveis 36 anos, e que nos encaminha para a sala mais ao fundo, num cantinho à lareira com fogo aceso numa encantadora envolvência. 

Carta muito extensa, muitas propostas de entradas, peixes, carnes, também com opções de menus. À recepção, oferta de flute de espumante da região. Optámos pelo Polvo em vinagrete (7,5€) como entrada, impecável, polvo tenro, saboroso, equilíbrio no tempero e frescura nos ingredientes, mas poderia ter um bocado mais quantidade. Seguimos com o incontornável Bacalhau à Lagareiro (15€), simplesmente fabuloso. Provavelmente o melhor que já experimentei: posta de bacalhau de grande qualidade, bem grelhado, acompanhado por uma magnífica batata assada com pele (é incrível mas desta batata é que já não se encontra muito!), cebola e pimento verde, tudo regado com azeite de qualidade. Que mais se pede? Maravilhoso, vale a viagem só por si. 

Depois, Ossobuco (15€), chambão de vitela estufado em molho de tomate: simples, limpo nos sabores, bem confeccionado mas sem deslumbrar. Acompanhou com salada e arroz branco. No final, travessa de sobremesas à escolha, deixada na mesa: Doce de ovos, doce de uva, pêra, figos, mousse chocolate, pudim, etc. Optei apenas pelas farófias (5€), nada de especial, preço exagerado também para a quantidade.

Aliás, esta forma de apresentar as sobremesas tornou-se caricata pela ausência de abordagem por parte do empregado de mesa (e pergunto-me, comeríamos tudo por um preço mais acessível? quanto seria? Comeríamos doce de ovos à colherada? Se calhar alguém sim, mas nem um conjunto de tostas a acompanhar, ou um bolo seco por exemplo. Assim, fica apenas "esquisito" e sem um atendimento adequado, é absurdo).

Carta de vinhos ecléctica, com boas opções mas todas para a gama média alta, faltando na minha opinião mais propostas com preços atractivos (já que as margens são elevadas...), notando-se uma clara aposta em vinhos da região, espumantes incluídos, o que é um óptimo sinal. Escolhemos o Entre II Santos 2008 Tinto da Campolargo por 15€. Óptima escolha, vinho no ponto correcto com corpo e elegância, a acompanhar perfeitamente toda a refeição.

Em suma, um espaço único e marcante com uma notável história de longevidade de mais de trinta décadas, com um anfitrião afável e extremamente hospitaleiro (não acompanhado pelo outro elemento de sala, nem lá perto), com comida de grande valor mas com relação preço-qualidade já elevada, com um preço médio dificilmente inferior a 20-25€.

Restaurante Marquês de Marialva
Largo do Romal, Nº16
Cantanhede
Telf. 231420010
Email: geral@marquesdemarialva.com

Recomenda-se consulta ao site, com bastante informação (carta incluída) 
Publiquei também no Tripadvisor aqui

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O fenómeno das versões cool (fixes) de hits pop mais menos bregas (foleiros) ou o Lado B da Bida e da música

Lembro-me de ver aparecer há uns largos anos na Mtv ou seria no VH1? (1999 mais propriamente, quando a Mtv ainda era um canal de música...),

esta versão incrível pelos Travis do "Baby One More Time" primeiro grande hit da lendária Britney Spears saído nesse ano, e aquilo parecer-me genial pela roupagem dada a uma música pop banal, mas que trazia alguma novidade na ironia ou paródia subjacente à atitude. De qualquer forma, a versão era acústica e até hoje a acho brilhante.

Assim mais antigas, lembro-me por exemplo dos Cake com o "I Will Survive" de Glorya Gainor ou David Byrne com "I Wanna Dance with Somebody" da Whitney Houston.
Neste momento, percebo um certo "movimento" de coisas deste tipo a espalharem-se, com vários artistas ou bandas a trazerem covers muito próprias de músicas ou outros artistas ditos pops (eu lhes chamaria brega pop, ou pop foleiro) que estão nos antípodas do que eles mesmos fazem e produzem. Não sei o nome, ou se já tem até epíteto específico, mas se alguém souber que se pronuncie.

E devo dizer que tenho um especial interesse por isto, e é curioso ver surgir este fenómeno, e me dá um gozo muito particular ver músicas trabalhadas por esses artistas e gosto muito de as ouvir, e levanta-me várias questões: será que as músicas serão realmente interessantes, e é a forma como originalmente se apresentam que não agrada, ou há sempre um preconceito associado? Ou é apenas pela piada, pela surpresa, pelo incomum? Ou será ainda que de facto essas versões melhoram o original, ou a roupagem dada nos soa melhor e nos identificamos mais com ela? 

De facto sempre gostei disto, tendo até criado uma tag aqui no blog dos Lados B, e hoje verifico que são infinitas as possibilidades, com autênticas pérolas, desde Jamie Cullum com esta versão de "Don't Stop the music" da Rihanna ou a Yael Naim com este "Toxic" da Britney Spears (com a nossa Luísa Sobral também a apostar numa versão jazzística ao vivo do tema com direito a efeitos especiais e tudo - aqui)

Por cá, também temos outras verdadeiras maravilhas, com o David Fonseca e a mítica versão em inglês no Gato Fedorento do "Afinal havia outra" de Mónica Sintra. Se bem me lembro, este programa teve aliás uma série de "lados B" de outros artistas portugueses, desde Clã a Blind Zero. David Fonseca costuma até fazer umas brincadeiras em concerto, como esta versão de "Umbrella".

Depois temos a magnífica, deslumbrante versão da "Quinta Sinfonia" de Paco Bandeira pelo grande Samuel Úria, e enfim, a lista nacional e internacional poderia continuar quase infinitamente, e na minha opinião, com forte tendência a aumentar, o que em si, não é bom nem mau, apenas diferente...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

caprichos reais

... farta de andar sempre a pé, a princesa desesperava pelo seu Príncipe Encartado...

domingo, 22 de dezembro de 2013

O "Lenço Enxuto" de Samuel Úria ou a grande poesia do pequeno mundo...

Encantador e impressionante, é incrível a beleza desta canção e deste poema. Sem palavras.
Do disco "O Grande Medo do Pequeno Mundo" Flor Caveira.


Lenço Enxuto (Samuel Úria)

Empresta-me os teus olhos uma vez
Que os meus não são de gente, apenas rapaz.
É só o tempo de me aperceber
Da visão que se turva para ser de mulher.

Empresta-me uma chávena de sal
E mostra-me a receita do caldo lacrimal.
É só o tempo de te convencer
Que nem precipitado consigo chover. 

Não é um adágio que nos persegue,
Que um homem só não chora porque não consegue.

Empresta-me esse efeminado luto;
Ser masculino é ter-se o lenço enxuto.
É só o tempo de me maquilhar
De pranto transparente (a cor de mulher).

Não nasci pedra, nasci rapaz
Que um homem só não chora por não ser capaz.

Os homens fazem fogo, com dois paus eles fazem fogo.
Por troca ensino-te a queimar.

Tu és corrente e eu finjo mar
Que um homem, para que chore, não pode chorar.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

a humanidade do senhor cavaco

receber um abraço do Cavaco Silva é assim mais ou menos como embater de frente num andaime. não sei, é o que me parece, é tão natural e profundamente humano como uma tonelada de betão armado.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

anglo-narco-discriminação


A Nigella Lawson até pode consumir cocaína (que pra mim era maisena mas tá bem!), mas 
também é evidente que o Jamie Oliver dá-lhe forte nos speeds há vários anos. E disto ninguém fala...

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

tiradas de música

... Tu tens fortuna e eu não 
Podes comer salmão e eu só peixe miúdo 
Mas temos em comum o facto de ambos vermos 
A vida por um canudo 
Invertemos a ordem dos factores 
Pusemos números à frente de amores 
E vemos sempre a preto e branco o programa 

Que afinal é a cores.

Jorge Palma, 1982

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Festival Cinema Luso-Brasileiro (1 a 8 Dez) em Sta. Maria da Feira

Começou no Domingo  e decorre até ao próximo (dia 8 Dez) um dos mais fascinantes projectos residentes em Santa Maria da Feira, já na 17 ª Edição - o Festival de Cinema Luso-Brasileiro

É impressionante a longevidade de um festival deste tipo, desta constância de qualidade e originalidade renovada a cada ano. Tive oportunidade de ir apenas a duas ou três edições mas percebo a dimensão que tem e o interesse que desperta no meio, como uma mais-valia para a minha cidade, sempre com importantes presenças do cinema luso e brasileiro e espalhando "Castelinhos" pelos dois países. Este ano conta com homenagem a Joaquim Sapinho, numa retrospectiva da sua obra. 

Valerá a visita para locais e forasteiros, isso é certo!

Mais informações aqui:

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

a incapacidade de ser verdadeiro

"A Incapacidade de Ser Verdadeiro" - Carlos Drummond de Andrade por Antonio Abujamra

terça-feira, 19 de novembro de 2013

tiradas de música


... Quem poderá fazer

Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão!
Morrenasce, trigo
Vivemorre, pão


Drão

Gilberto Gil, 1981

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Gobi Bear, ou o ursinho português.

Gobi Bear, o ursinho que vem de Guimarães, é um projecto de banda de um homem só (ou de um só homem? qualquer coisa assim...) do jovem vimaranense Diogo Alves Pinto. 
Com passagem por Coimbra, onde gravou as primeiras demos, lançou neste mês de Novembro o seu primeiro álbum: Inorganic Heartbeats & Bad Decisions pela Murmürio Records, editora independente de Coimbra, vejam bem!

Com influências assumidas e perceptíveis de Eels, Bon Iver a José Mário Branco ou Sérgio Godinho, apresenta uma sonoridade limpa que nos transporta para ambientes macios, nuvens de algodão doce ou insufláveis aconchegantes, piscinas com ursinhos de peluche, não sei se me faço entender. Enfim, universos quentes e fofos, mas nunca entediantes, antes complexos e depurados, belos e tocantes.  
Mais um projecto muito interessante e a acompanhar com atenção, com muita qualidade e potencial para crescer e expandir horizontes, este ursinho merece destaque e amigos... 
Entrevista aqui
Site aqui (onde se pode comprar o álbum em formato digital ou em cd)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

goal average à portuguesa...

uma das expressões estrangeiradas que mais me orgulho de termos inventado é "bola averagem" (não sei se será correcto escrever assim, talvez bola à varage...) mas enfim, que se mantenha de tão nossa, e de facto sabe tão bem às vezes ganhar e poder dizer por bola averagem.