segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Um senhor Arinto da Bairrada!

Marquês de Marialva Arinto Reserva 2011

Ano: 2011

Castas: Arinto 100%


Preço: 3€ (Auchan)

Nota de Prova: 

Vinho marcante, dos brancos mais interessantes que já bebi. Boa cor, límpido, brilhante, amarelo citrino. Aroma contido, notas de fruta e alguma doçura. Excelente estrutura e equilíbrio, frutado, cheio na boca, notas de citrinos, lima, ananás, e um final longo e com alguma untuosidade adocicada, quase biscoito (conferido pela madeira - 30% do vinho em barrica de carvalho francês). Vinho em perfeito equilíbrio e muito bem construído, elegante: corpo, acidez e paladar, muito prazeroso e de grande personalidade. Complexo, denso e diverso nas nuances que transmite, altamente gastronómico e concerteza versátil por isso mesmo. Uma magnífica proposta da Adega de Cantanhede, este Arinto estreme, um vinho que vale cada cêntimo e com arcaboiço para aguentar uns anos em garrafa. (3€ PVP Feira Vinhos)


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A "Quinta de Contos" da Camaleão não pode acabar...

A notícia é triste e lamentável: a Camaleão, associação cultural de Coimbra, vê-se obrigada a suspender a iniciativa "Quinta de Contos" que promovia no Ateneu de Coimbra desde 2001, por falta de condições financeiras, sem qualquer apoio de outras instituições, sobretudo a CMC. 


A Quinta de Contos acompanhou a minha vida em Coimbra ao longo destes anos, e apesar de mais recentemente não ter possibilidade de ir, sempre ficava aquela nostalgia de querer ir, e de pelo menos, saber que lá estava, como um sonho bom.
Não sei quando foi a primeira vez, mas de certeza que terá sido mágica, como todas as outras que se seguiram.
A iniciativa da Camaleão no espaço do Ateneu de Coimbra é daqueles milagres que estão a um simples passo de nós, basta que subamos a escada junto ao largo da Sé Velha, para aquele mundo encantado. Assim, tão fácil e desgarrado, numa generosidade desmesurada de quem a fazia acontecer todos os meses. Assisti a momentos únicos de arte, convívio, comunhão em volta da palavra dita. Riso, comoção, gargalhada sincera e lágrima ao canto do olho, lições de vida, humanidade pura naqueles minutos em que os contadores se dispõem e entregam a dar um pouco de si, das suas histórias e de outros que lhes chegam ou até que inventam. Lembro-me bem da Helena (voz de algodão doce, de outro mundo), do Geraldo sempre com o humor afiado em notas de ironia genial (os dois principais impulsionadores do projecto, sempre presentes), dos convidados especiais: o Serafim, o Quico Cadaval, tantos outros, num espaço único e aconchegante que precisava também de ser vivido, de ser ocupado de vida, de companhia. E estas quintas eram também um pouco disso. Sempre acompanhado de um Porto ou um Favaios a preço de amigo, a noite iluminava-se naquele palco ao nível do chão, naquele calor de ouvidores que se juntava em grande número.
E sempre sempre, de forma gratuita. Talvez que se consiga retomar, mesmo sem apoio, não sei se com a cobrança simbólica às entradas (se soubesse que assim funcionava, sem qualquer apoio, teria tido todo o gosto em ter contribuído pagando algo à entrada), mas percebo que esse não é o espírito. Apesar de julgar que teriam a compreensão dos participantes e a adesão continuaria. 
Espero que alguma coisa se possa fazer, porque esta iniciativa não pode morrer, é muito, é demasiado o que se perde e espero que se consiga forma de continuar a desfiar contos e vida no Ateneu de Coimbra. Só uma vez por mês, mas que era tanto tanto.. numa cidade onde falta cada vez mais sonho e palavras de esperança.

Notícia aqui

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

À mesa, como na vida...

"S. E. Ruffini era um fino gastrónomo dotado de um apetite de passarinho; Don Calogero um comilão para quem o requinte de uma refeição contava menos que a quantidade de comida no prato.
A caldeirada de peixe branco tinha a untuosidade que deleitava o cardeal. Don Calo renunciara a servir-se da faca de peixe em benefício de um só garfo, mais um bocado de pão para arrastar.
(...)
A seguir à caldeirada vieram enrolados de carne com alcachofras e Don Calo contemplava o seu prato com o desespero de um glutão lesado por um gastrónomo. Terminado o almoço, prometeu a si próprio mandar servir no hotel Sole uma refeição à sua altura, com um bife de, pelo menos, quatrocentos gramas."
                    tirada do livro "A Mafia senta-se à Mesa - histórias e receitas da onorata societá" de Jacques Kermoal e Martine Bartolomei.

Uma das cenas em que a máfia, pela pessoa de Don Calogero, se senta à mesa do clero cúmplice, genial pela forma como apresenta e espelha esta tão distinta forma de comer, de olhar a comida enquanto acto social, no fundo, duas formas perfeitamente antagónicas de estar à mesa e na vida.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O melhor mês de todos meses do Livro de Assentar (ou o livro de recordes de trazer por casa...)

O mês de Setembro foi o que teve mais visitas aqui ao blog, desde que cá estou a "assentar" (470 visualizações), que é assim como a vitória do PS nas últimas eleições autárquicas:  dizem que é a maior de sempre, mas no fundo no fundo, apenas dá para continuar mais algum tempo. E é sempre bom seguir em companhia...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Tribunal Constitucional, Passos Coelho e o trabalho forçado...

Nós, portugueses, temos uma tendência natural para ser injustos. Muito injustos. Dizemos e sempre dissemos que há uma classe de juízes privilegiada que ganha muito e faz pouco, e criticamos o governo actual. Pois bem, tomemos consciência que nisso, há que tirar o chapéu a estes senhores, nunca nenhum governo deu tanto trabalho aos juízes aburguesados do Tribunal Constitucional. E neste campo, eu digo, continua Passos, estás a fazer um trabalho do caraças! 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Biblioteca mais recheada...

Novas entradas na biblioteca! Finalmente, o tão procurado e difícil de encontrar "Livro de Bem Comer" de José Quitério, Assírio & Alvim 1987 e a "Arte de comer em Portugal na Idade Média" de Salvador Dias Arnaut, INCM 1986. Duas preciosidades, de que darei conta após deliciosa leitura.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Cristina Branco e a Branca Aurora

A Gisela João veste como a Björk, mas a Cristina Branco canta que até dói. 
É o que eu acho.


Restaurante "A Cozinha do Manel" - Porto


Espaço mítico no Porto na Rua do Heroísmo (Campanhã), ao entrar logo se percebe e confirma: mantém traça de taberna antiga ao longo do balcão da entrada, repleta de objectos antigos, vinhos de colheitas vetustas, galeria de fotos imponente, perpetuando o momento de visita de ilustres personagens. Em continuum a cozinha à vista, o forno a lenha, a sala ao fundo. Acolhimento simpático pelos proprietários, como se familiar apesar de ser a primeira visita. Sala pequena, acolhedora, tranquila. A carta apresenta uma cozinha regional, de raiz, com identidade: Bacalhau, Rojões, Cabrito, Vitela assada, fazendo bom aproveitamento do forno a lenha de que dispõem. Optamos pelos Filetes de Polvo com arroz do mesmo - 13€ (não se esqueça, com a Casa Aleixo mesmo ali ao lado) e pelas inevitáveis Tripas à moda do Porto (11€). Couvert com pão e broa de Avintes, bom.

Tripas impecáveis, em tacho elegante de ferro fundido, excelente dose, acompanhadas de arroz. Muito bem feitas, bastantes enchidos, orelha, mão de vaca, "folhos e touca", tempero na dose certa, sem excessos de gorduras ou "curtimenta de lume". Filetes também em boa dose, com arroz muito saboroso a acompanhar, seco e leve, mas o polme da fritura meio molengo, faltando a crocância correspondente que se pede, apesar de saborosos, mas a trazer a nostalgia do especialista vizinho, de facto imbatível nesse "métier". 
Uma carta de vinhos coerente, preços equilibrados e propostas em todas as gamas, espumantes e champagnes, forte carta de bar nos digestivos, tem vinho da casa. Copos e temperaturas correctas, faltando as opções a copo. 
Serviço rápido mas sem acompanhar a simpatia dos patrões por parte do empregado que nos serviu, apesar de eficiente e sem falhas.
Um espaço que merece sem dúvida uma visita, fiel depositário de boa comida tradicional nortenha sem desvios à sua fidelidade, um local com história e passado e muito agradável de se estar. 
Boa relação qualidade-preço.

A Cozinha do Manel
R. do Heroísmo 215
Tel: 225363388
Email: cozinha.do.manel@gmail.com

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

"A Case of You" - Lado A


"A Case of you - Lado B


Mais um Lado B, mas este em bom. Versão incrível de Ana Moura no seu disco mais recente "Desfado". Impressionante.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A "pura falta" de Manuel António Pina

Na minha biblioteca socorro-me de Manuel António Pina e percebo que "Todas as palavras" apesar de tudo foram poucas, e que mesmo com o tanto que deixaste, tanta falta fazes cá. Apesar de tudo...


"A pura falta"


Tudo é sabido onde
alguma coisa fala de si própria
e de falar de isso
e de falar de falar.

Aquilo que está cada vez mais longe,
a pura falta de coisa nenhuma,
é o que Conhece e É
a sua indizível inexistência.

Nós, os maus, onde
                                         é fora de fora de tudo,
                                         eternamente regressamos
                                         ao sítio de onde nunca saímos.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

"Bronson" - o Filme e o Personagem

O filme estava quase no fim, mas não deixei de ficar fascinado pelos poucos minutos de "Bronson". Filme de 2008, do realizador Nicolas Winding Refn que recria de forma estilizada a vida de "Charlie Bronson", de nome verdadeiro Michael Peterson,  considerado o prisioneiro mais violento do Reino Unido. 
Adquiriu este nickname nas lutas de boxe clandestinas, em referência ao conhecido "actor" e a história é simples: um assalto à mão armada ao posto dos correios (em 1974), dariam sete anos de pena de prisão, mas pela agressividade e crimes repetidos na prisão, chegando mesmo a sequestrar o professor de arte da mesma (esta é a cena genial que apanho já quase no final do filme) ficou preso até aos dias de hoje, grande parte do tempo em confinamento solitário. 
Bronson foi desenvolvendo um alter ego e tentou sempre combater o sistema, revelando uma personalidade excêntrica em muitos aspectos mas que se espelhou também na produção de arte. Uma figura especial, incrivelmente interpretada por Tom Hardy, que vale a pena conhecer. Toda a sua biografia, trabalhos que desenvolveu desde arte à poesia, livros dele e sobre ele, merchandising e trabalhos que inspirou, no site sobre esta personagem. 

Continuam as campanhas para a sua libertação mas sem sucesso. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

"As Esganadas" de Jô Soares

Jô Soares volta com novo policial "As Esganadas", pela Editorial Presença que também reedita toda a sua obra anterior. Num tom leve e divertido, apesar da temática do assassinato em série, Jô traz-nos um livro "fácinho" de ler em que o assassino é conhecido à partida, a sua motivação também e onde existem curiosidades interessantes para nós, portugueses.
Passado em pleno Estado Novo brasileiro, na ditadura de Getúlio Vargas (época que muito interessa ao autor) as referências a Portugal são muitas e diversas: desde o delicioso pormenor de as vítimas além de mortas trazerem à sua morte um qualquer doce português que lhes "enche as medidas" de uma ou outra forma; até à participação de um inspector português Tobias Esteves que Jô fantasia como sendo o próprio "Esteves sem metafísica" da Tabacaria de Álvaro de Campos, e que ajuda na investigação e captura do culpado, perfumando o romance com um humor non-sense constante; passando pela presença de Vasco Santana (apresentando uma revista à portuguesa no Rio Janeiro) ou Manoel de Oliveira (sim, o realizador) como corredor de automóveis no Circuito da Gávea. 
Uma escrita despretensiosa, bem humorada num enredo interessante e que nos envolve até chegarmos ao fim.

PVP 13€; Edição da Editorial Presença 2013


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

"Mapa Mundi"

        Coimbra, julho12

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"Life Patchwork"

             Coimbra, Maio 13