segunda-feira, 20 de julho de 2009

Houve um tempo em que os meninos, quando faziam anos, tinham como prenda um passeio com os avós a algum sítio especial. Dizem que não eram menos felizes então...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

mamã, os pássaros quando morrem, também vão para o céu?

Fundão 2009 - A cereja de Alcongosta e o xisto de Janeiro de Cima

sábado, 27 de junho de 2009

Lu e Vieira

A Luciane (com "e") é provavelmente a amiga mais antiga que mantenho até hoje. Mais antiga não, porque não fica bem; menos recente, digamos assim... Aterrou esta brasileirinha vinda do Rio de Janeiro, andava eu ainda na escola primária, e por sorte ou azar, a professora D. Amélia decidiu que seria eu o companheiro de carteira da brazuca. E da odisseia do gato Tareco, dos toques do sino da Capela de Campos, entre outras aventuras, até hoje, ficou uma profunda amizade que podia quase ter sido mais, nas palavras de outra professora, de seu nome Gertrudes... O Vieira veio por arrasto, mais tarde mas ainda a tempo suficiente de vivermos muita coisa e de construirmos uma amizade alegre e sincera, como deve ser. Até hoje, também. Deles, como casal, retenho o respeito e compreensão, a cumplicidade que deve existir para que tudo o resto resulte. Eles decidiram, está decidido. Casam amanhã, mas apesar disso, acredito e desejo que possam ser muito felizes. ;)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Banksy versus Bristol Museum


Aqui está uma coisa que gostaria de ver. Banksy, o Jorge Jesus da street art, que por sua vez é a Paula Rego do futebol, invade o Museu de Bristol, a sua aparente terra natal, numa exposição que parece simplesmente magnífica: Banksy versus Bristol Museum
“Esta é a primeira exposição que alguma vez fiz em que o dinheiro dos contribuintes está a ser usado para pendurar as minhas imagens em vez de ser para as limpar

noticia aqui e fotos aqui. vídeo aqui

votar nestes partidos é lamentável, mas também...

Critica-se a sociedade portuguesa pelos 67% de abstenção nas eleições europeias, mas se um gajo vota duas vezes, é acusado de crime... 
tá certo.

Tasca Beat, OQUESTRADA


O disco "Tasca Beat" dos OQUESTRADA, o segredo mais bem guardado de Portugal. Uma banda que tem andado por aí, há vários anos, entre salas de Paris e ruas lisboetas, decide agora gravar um disco. Um disco formidável, boa onda, com uma musicalidade curiosa e muito própria. Uma música onde tudo se mistura, tudo se encontra, com toques de Kusturica a Alfredo Marceneiro. Um acordeão desgarrado, uma guitarra portuguesa numa nova perspectiva e modo de tocar, uma "contrabacia", uma voz cativante. Até uma versão genial do "Killing me Softly" dos Fugees, em jeito de Yann Tiersen. Um disco altamente recomendado, a preço de amigo, que é sobretudo um exercício de profunda liberdade cultural e artística.

site aqui
a fotografia é do magnífico Rui Palha 

domingo, 7 de junho de 2009

www.bandalarga.paraopovodecastanheiradovouga.pt

É tradição antiga em Portugal que as eleições sirvam de forma de protesto para populações esquecidas e ostracizadas, aproveitando o palco mediático para fazer valer os seus direitos e divulgar as suas angústias. Desde os costumeiros e saudosos pedidos de subida a concelho por algumas povoações, numa justiça que mereciam pelo grau de avanço, de que Canas de Senhorim é o paradigma mais visível e carismático, até ao reivindicar de coisas básicas como saneamento, obras na escola, centro de saúde, transportes e afins, tudo se foi reclamando desde tempos imemoriais. Mas desta vez, há que dizê-lo, Castanheira do Vouga fez história. Assistimos hoje a um pequeno boicote às eleições por populares não identificados, indignados pela ausência intolerável e desumana na localidade dessa coisa a que chamam banda larga! Sim, pasme-se. Como se pode ler no cartaz do protesto, as criancinhas de Castanheira do Vouga, não têm acesso ao famoso Magalhães. Fico sem palavras... Não sei se é pelo facto de serem eleições europeias, não sei, mas que este é um país evoluído ninguém pode negar!!! Isto é de um pós-modernismo comovente. Ainda assim, povo de Castanheira do Vouga, deixai que vos diga, em boa verdade, não sabeis vós no que vos ides meter e o que estais a chamar para a vossa presença. É que isso da banda larga é um cabo das tormentas, que nem o "Magalhães" vos levaria a dobrar. Vão por mim, que isto das coisas modernas e tecnologias de ponta em Portugal são uma dor de cabeça, e são coisas que funcionam bem, mas só lá nas Europas... 

notícia aqui e reportagem aqui

sábado, 6 de junho de 2009

Obama no Cairo, por João Lopes

Porque vale mesmo a pena, transcrevo o post de João Lopes na íntegra.

"O discurso de Barack Obama no Cairo (4 de Junho de 2009) foi tratado nas nossas televisões com a mesma técnica de soundbytes aplicada para abordar as eleições no Sporting. Eis uma opção que, de forma inequívoca, transporta uma visão do mundo e define um modelo de responsabilização jornalística. Por certo, tudo o que se noticiou era verdadeiro — mas a verdade é escassa...Não devemos, por isso, ter medo de formular um juízo de assumida pompa e circunstância: as palavras do Presidente dos EUA, para além de constituirem um prodigioso exercício de ética e política, definem também uma data nas relações dos EUA e, genericamente, do chamado mundo ocidental com o vasto mundo do Islão. Aconteça o que acontecer nessas relações — nomeadamente nas formas de coexistência de israelitas e palestinianos —, haverá sempre um pré e um pós que encontram neste discurso um momento charneira.
Recordando a sua experiência pessoal, Obama disse:>>> (...) Conheci o Islão em três continentes antes de vir à região onde foi revelado. Essa experiência justifica a minha convicção de que a colaboração entre a América e o Islão deve ser baseada naquilo que os Islão é, não naquilo que não é. E considero parte da minha responsabilidade enquanto Presidente dos Estados Unidos lutar contra os estereótipos negativos do Islão onde quer que eles apareçam.<<daqui

terça-feira, 2 de junho de 2009

O Imperium segundo os La Fura dels Baus

O espectáculo dos La Fura dels Baus é arrepiante, como sempre. Imperium foi o terceiro espectáculo deles a que assisti e é bom verificar que continuam profissionais sérios e coerentes no seu trabalho. É um espectáculo que envolve o espectador como nenhum outro, em jeito de coro grego, que o faz sofrer, agoniar e tremer muitas vezes, pela dureza e capacidade que os seus "actuantes" têm de transparecer como muito real aquilo que estão a representar. As suas caras, expressões, a sua postura física e presença espiritual é perfeita e encarnada como algo muito sentido.

 E continuam a obrigar-nos a nos confrontármos com a nossa própria realidade enquanto humanidade e a estarmos atentos à nossa evolução enquanto tal, dando-nos um retrato fiel e pouco assumido por outros, da nossa natureza (des)humana. Como eles próprios dizem, Imperium (e eu diria, todos os espectáculos dos Fura) põe em dúvida e análise a ideia de progresso e evolução, a ideia de que a humanidade avance necessariamente melhor...  
Um espectáculo altamente recomendado, e quando tiverem a oportunidade não hesitem porque assistir aos Fura del Baus é fabuloso e inesquecível e nunca nos deixa indiferentes.

Andámos quilómetros no meio da multidão, fugimos, levámos encontrões, tivemos medo, molhámo-nos e suámos numa experiência única, que nos faz sentir vivos e afinal humanos...

site do espectáculo com vídeos e imagens aqui

quinta-feira, 28 de maio de 2009

IMAGINARIUS 2009 - STA MARIA DA FEIRA

Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira
IMAGINARIUS 2009 - 28 a 31 Maio
Arranca hoje mais um magnífico evento na minha terrinha, o Imaginarius 9ª Edição.

Com especial destaque para a presença dos La Fura Del Baus com um espectáculo permanente de 28 a 30 Maio e o projecto Pinóquio, uma co-produção Titanick Theatre (participantes em edições anteriores com criações brilhantes e gigantescas...), Teatro Acert e CCtar.

Fico também feliz pela atenção e espaço dados a companhias nacionais, muitas vezes esquecidas em outros anos, mas desta vez com o destaque que merecem, com participações do Teatro Marionetas do Porto, os habituais Circolando, Ace/Teatro do Bolhão, entre outros. Venham até a esta bela localidade e não ficarão desiludidos com este festival, eu garanto...


toda a info necessária em http://www.imaginarius.pt

segunda-feira, 25 de maio de 2009

João Bénard por Miguel Esteves Cardoso

«O João Bénard é um menino. É um menino que, a cada momento da vida, acabou de descobrir uma coisa. É sempre uma coisa maravilhosa que tem de abraçar com muita força mas depois largá-la para poder mostrá-la aos amigos e partilhá-la com toda a gente.
Porque se não a partilhar, se não a cantar, se não se destruir a elogiá-la de maneira a ser tão irresistível como ele – até chegar a confundir-se com ele ao ponto de não sabermos qual amamos mais, se ele ou as coisas que ele nos ensinou a amar -, se não puder parti-la aos pedaços para poder dar um bocado a cada um, na esperança que todos a queiram reconstruir depois, ele já não é capaz de amar tanto aquela coisa, porque acredita que a coisa é grande e boa de mais para uma só pessoa e sente-se indigno de gozá-la sozinho. É assim o João Bénard.
O João Bénard é um amigo. É um amigo que, a cada momento da vida, faz sempre como se tivesse acabado de apaixonar-se por nós. Não lhe interessavam nada as coisas que mudaram; as asneiras que fizemos; a decadência em que entrámos; a miséria que subjaz às nossas opiniões ou o grau de petrificação das nossas almas. Para ele, somos sempre os mesmos. É um leal. Está sempre connosco como se fôssemos tão frescos como ele. Puxa-nos pela manga da camisa; protege-nos da tempestade; desata a rir no meio das encrencas; arranja tabaco clandestino; deixa-nos subir para os ombros para vermos melhor; para saltar para o outro lado; mostra-nos fotografias nunca vistas, de actrizes lindas, escondidas debaixo da camisola – e faz tudo descaradamente; não se importa de ser apanhado; não tem vergonha nenhuma; é um prazer estar com ele; parece que todo o universo está em causa. É assim o João Bénard.
O João Bénard é uma alma. É uma alma que, a cada momento da vida, desde que nasceu, sempre fez pouco do corpo e das coisinhas de que o corpo precisa. Tinha um corpo transparente, com a alma a ver-se lá dentro. Ou então era a alma que projectava o corpo no ecrã da pele. É por isso que todos nós o conhecemos como conhece Deus.
Deus, apresento-Te João Bénard. João Bénard, apresento-te Deus.»

O Alienista de Machado de Assis


O Alienista de Machado de Assis é um livro surpreendente. Rapidinho e fácil de ler. Um livro que acaba assim...

"Seja como for, efectuou-se o enterro com muita pompa e rara solenidade."

só pode ser um grande livro.




edição Alma Azul

Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo 2009

Excelente. Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo. De Ovar a Aveiro, num festival que se realiza em 7 municípios diferentes e vizinhos, com uma programação de alta qualidade, e até com concertos gratuitos ao ar livre... Toda a informação em www.festim.pt.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Mundo sem Nós, ALAN WEISMAN

Em "O Mundo sem Nós", Alan Weisman faz um ensaio curioso e magnífico do que seria do nosso planeta se, assim de repente, a humanidade desaparecesse da face do mesmo. Partindo de uma hipótese académica, imagina e prevê alguns desenvolvimentos da vida do planeta depois de desaparecermos, e utilizando exemplos do mundo actual onde já nós não colocamos pé há alguns anos. Uma verdadeira referência, com um recurso a diversos especialistas em variadas matérias, dando um panorama da nossa história enquanto espécie em todos os continentes, do que temos feito ao planeta, desde os contaminantes que deixaremos como herança a várias gerações, a generalização de introdução de espécies exóticas, até ao Canal do Panamá, ao sistema de esgotos de Nova Iorque, e o que seria destes sistemas criados por nós num mundo sem nós para os mantêr funcionais. É um livro que arrepia muitas vezes pela constatação cruel de tanta porcaria que temos feito, mas com uma visão romântica e que dá um certo prazer redentor quando divaga sobre o que se tornaria este planeta depois de partirmos, o que deixa perceber que verdadeiramente, sem nós, a Terra se safaria muito bem e se sentiria bem melhor... Um mundo em que as florestas voltariam a invadir os habitats que destruímos e ocupámos, onde a fauna maior poderia voltar a crescer em número de indivíduos e espalhar-se pelas áreas onde outrora esteve, um planeta inteiramente renaturalizado, absorvendo todas as estruturas estranhas e artificiais que criámos, não deixa de ser um cenário encantador. E sobretudo, a percepção que nos deixa sobre o fenómeno da evolução, os seus mecanismos e poder inventivo, afastando a visão normalmente antropocêntrica que inevitavelmente temos dela. É um livro com tantas referências, com tantas ideias e possibilidades de pesquisa, que dentro do que recolhi, tentarei dar mais exemplos futuramente, desde lugares do nosso planeta a movimentos e ideologias pelo livro referidas.

Deixo apenas estas passagens, que acho demonstrativas:
"Em NY, o estorninho europeu - hoje uma praga aviária do Alaska até ao México - foi introduzido porque alguém achou que a cidade ficaria mais culta se o Central Park albergasse todas as espécies de pássaros citadas por Shakespeare."

"Os humanos acabarão por se extinguir. Tudo se extinguiu, até agora. É como a morte: não há razão para pensarmos que somos diferentes. Mas a vida irá continuar." por Doug Erwin

"Haverá muitas surpresas. Admitamo-lo: quem é que poderia ter previsto a existência das tartarugas? Quem poderia ter imaginado que um organismo se iria virar do avesso, empurrando a sua omoplata para dentro das costelas e formar uma carapaça? Se as tartarugas não existissem, nenhum biólogo de vertebrados iria sugerir que iria acontecer uma coisa assim: seria a risota de todos. A única previsão que podemos fazer é que a vida irá continuar. E que será interessante." por Doug Erwin

Resta dizer que o livro é editado em Portugal pela Estrela Polar, apesar da tradução não ser das melhores, lê-se. mais info aqui