domingo, 9 de novembro de 2008

PATRÍCIA ROQUE

Há uns dias estive na Casa Cultura de Coimbra e deparei-me com uma exposição magnífica de Patrícia Roque. Não conhecia o trabalho, fiquei encantado.. Desenhos maravilhosos, com enorme intensidade e universos muito próprios, imagens e ideias densas, complexas e fortes. Fica aqui o site e o myspace da artista, por acaso mesmo de Coimbra... Porque a exposição, essa já terminou... Aqui fica um cheirinho.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

mr obama, ou segundo berlusconi, o homem que anda sempre bronzeado...


Um novo movimento, uma nova energia, uma "boa-onda" que surge, um futuro animador.
Esperemos agora que tudo não se torne um constante "YES, WE COULD..."

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Acomodou-se à vida como a um casaco de mangas compridas
que inevitavelmente se tornaram
ridiculamente curtas...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A última Estucada

George W. Bush termina da melhor forma o seu mandato. Como se pode ver aqui.. Os seus amigos industriais agradecem, e é doloroso de tão nítida e descarada a "coligação" mafiosa que manteve até ao último momento, sem um pingo de escrúpulos. De falta de coerência, lá isso, não o podemos acusar. O personagem ficará para a história, como uma das piores catástrofes que o mundo viveu, e o mais triste, é que nem isso ele merecia...

domingo, 2 de novembro de 2008

"A Vida num Sopro" ou a "Literaturazinha"

José Rodrigues dos Santos lançou mais um romance, e como sempre, num tom ligeiramente convencido e com laivos de grande escritor e "homem das letras" lá foi dizendo numa entrevista que li outro dia, que "Os meus romances são muito meus. Não conheço nenhum autor que escreva os romances como eu os escrevo."
Já há algum tempo lhe ouvira dizer no mesmo tom habitual, e deixar bem claro, que era ele (e não Sousa Tavares) o escritor que mais vende actualmente em Portugal, revelando os números que não deixavam margem para dúvida (ou como diria George Bush "Make no mistake..."), como se de uma bandeira e aspecto crucial se tratasse, que tudo diz sobre o que é "um verdadeiro escritor". Pois, devo dizer que os livros de JRS reflectem um pouco os tempos que correm.. Histórias e enredos sensaborões, escritos de forma "normal" e simples.
JRS não é um grande escritor, fique bem claro. Está longe de o ser; É apenas mais uma pessoa que escreve livros. Os livros que escreve conseguem agarrar o leitor sobretudo pelas peripécias que consegue criar, e mérito lhe seja dado, denotam uma aprofundada pesquisa e trabalho sobre vários temas nem sempre acessíveis, mas não passam disso, de livros normais. Aliás, quando tenta revelar-se um bom escritor, quando arrisca alguma descrição ou devaneio mais criativo, borra a pintura, cai na banalidade, no lugar-comum, no foleiro que quer ser belo, no simplório que anseia ser genial, e chega a ser ridículo e naive nalgumas passagens..
JRS não passa disso, de mais um que escreve livros, calhamaços de ler e deitar fora, descartáveis como qualquer notícia que hoje apresenta, e que usamos sem agitar num mundo directo e imediato que existe actualmente. Muito ao jeito da vaga "Dan Brown" que por todo o lado se instalou, em livros que têm de ter mais de 500 páginas (como um pré-requisito que atesta da qualidade, na regra estereotipada e enganosa "livro grande=grande livro"), pitadas de suspense, misticismo e ciência sensacionalistas, e que infelizmente são os únicos que fazem as grandes montras das livrarias actuais, beneficiando de poderosas campanhas de marketing, e tornando o livro que se vende actualmente, sobretudo e apenas mais um entretenimento fácil e demasiado óbvio como tantos outros que criámos (o que vai contra o sentido que tinha e lhe era dado até agora...).
É precisamente um dos grandes equívocos deste senhor, achar que por vender milhares, tem um valor superior ao que realmente tem, e poder comparar-se com verdadeiros artistas da palavra, da língua, da magia e do encanto da escrita genialmente criada e alinhavada...
António Lobo Antunes já deu a sua opinião sobre o novo livro, não indo além de que "é uma grande merda, num país onde todos são escritores" e que fica "assombrado com pessoas que escrevem livros em dois meses".
Pois é precisamente Lobo Antunes, nem de propósito, que recordo em algumas linhas que guardei no meu caderninho há alguns anos, e que se aplicam melhor que nunca e sintetizam o que sinto:
"Em regra só os artistas medíocres dizem coisas interessantes e tenho uma desconfiança instintiva dos verbosos, dos fluentes, dos engraçados, dos que dissertam, sem pudor, acerca do seu trabalho."

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

dois poemas de Mia Couto

O primeiro astronauta

O primeiro astronauta
devia ter sido
Silvestre José Nhamposse

Só ele
teria sacudido os pés
à entrada da Lua

Só ele teria pedido
com suave delicadeza:
- dá licença?

(1983, in Raiz de Orvalho e Outros Poemas)

Doença

O médico serenou Juca Poeira.
Que ele já não padecia da doença
que ali o trouxera em tempos.

E o doutor disse o nome
da falecida enfermidade:
"Arritmia paroxística supra-ventricular"

Juca escutou, em silêncio,
com pesar de quem recebe condenação.

As mãos cruzadas no colo
diziam da resignada aceitação.

Por fim, venceu o pudor
e pediu ao médico
que lhe devolvesse a doença.

Que ele jamais tivera
nada de tão belo em toda a sua vida.

(Maputo 2005, in Idades, cidades, divindades)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Ele há colónias e colónias!!!

Segundo esta notícia do Público, baseada num novo livro alemão, há uns anos atrás uns senhores tiveram esta ideia maravilhosa "militares nazis planearam estabelecer uma colónia no meio da selva amazónica".

E porque de idiotice e coisas parvas estamos todos fartos, fico extremamente feliz e agradecido que outros senhores tenham tido, uns anos depois, ideias e tiradas como esta:

"O início do sucesso surgiu na mente de Peyo num almoço, cenário propício para as grandes ideias, durante as férias na casa de amigos. Para pedir que lhe passassem o sal no fundo da mesa, Peyo não se lembrava da palavra e saiu-lhe qualquer coisa como: “por favor, passa-me o...o...o estrumpfe aí ao fundo”. Franquin, amigo, colega de profissão e criador de personagens como Marsupilami, responde-lhe no meio de uma gargalhada: “Toma, eu estrumpfo-te”. Estava assim criada a língua dos “Estrumpfes”. As personagens viriam a seguir."

Até se torna engraçado, porque eram também uma colónia, curiosamente tentando não se tornar como os cruéis seres humanos...

Fizeram 50 anos há alguns dias, como se vê também aqui, estes seres maravilhosos que todos lembramos com um carinho especial..

E não deixem de visitar o site oficial http://www.smurf.com/home-en
Espero que tenham um estrumpf muito estrumpfado....

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

"The Can" e afins por Carlos Lascano

Curta-metragem pequeníssima para spot da Redbull.. Uma animação fantástica, com mistura de técnicas, muito original e encantadora.

E mais trabalho do autor Carlos Lascano aqui. Para além da fotografia e ilustração, aconselha-se vivamente as curtas Les Amants e La Leyenda del Espantapajaros. Um artista a seguir...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sistemática Criatividade...

Que maravilha!! Deparei-me com este recorte que guardo religiosamente há bastante tempo e considerei que seria digno de publicação, pelo interesse que suscita.. Como biólogo apraz-me muito ter contacto e ampliar o meu conhecimento na área, e este é um exemplo paradigmático do que a biologia do nosso planeta pode fazer e das maravilhas que esta engloba. Que dizer deste ser que vive nas profundezas oceânicas, parece uma planta mas aparenta mais ser um animal (e por isso não consta nas enciclopédias botânicas, claro está!!) E que dizer dos ramos, que não são ramos, são esqueleto? Sendo um animal, não se rega.. (evidente, o que se rega são as plantas, e de estupidez, regam-se os criadores deste ser... ou estupidez ou muito Gin Tónico!) Não há dúvida, este animal, que por acaso até no nome é um equívoco "Planta Neptuno", é um constante paradoxo e bem demonstrativo da magia da Vida, e um autêntico quebra-cabeças para a Sistemática e Taxonomia...

Pois eu, com tanta idiotice condensada, ainda assim já resolvi o mistério: trata-se sem margem para erros, e de acordo com as melhores chaves dicotómicas, da designada "planta de plástico", sendo uma espécie rara deste grupo, porque a mais comum e conhecida são mesmo aquelas rosas idiotas e foleiras vendidas junto com o patinho que chia e deita a língua de fora (outro caso atípico entre os patos...) pelos monhés, de que o famoso "Taliban" de Coimbra é um exemplo típico e simpático... (ou para uma explicação mais científica do "fenómeno" ver aqui)

Para "verde e verdadeiro fenómeno da Natureza" já nos chega o Hulk...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

DIREITA, VOLVER...

Ouvi ontem pela rádio as posições políticas da "Direita" sobre as alterações ao regime jurídico do Divórcio, e a sua inerente visão. Entre os parcos e inconsistentes argumentos, lá ia um senhor deputado dizendo que se trata de um atentado social e legislativo, que passa a permitir de forma descarada que "uma das partes" possa desencadear e conseguir um divórcio por única e sua exclusiva vontade, mesmo que tendo responsabilidades directas e o que designam "faltas no cumprimento dos deveres a que se obrigaram no casamento". Ora, merece pouco comentário, parece-me óbvio.
Não vou discutir a lei, mas o príncipio em si, relacionado com este discurso. Para PSD e CDS-PP, existe uma visão (no mínimo) desactualizada da nossa sociedade actual, num conservadorismo bacoco e uma ridícula sacralização do casamento enquanto instituição, numa confusão sem qualquer nexo entre a questão civil, social e jurídica e o convencional e nem sempre (cada vez menos, diria eu!) aplicável enlace matrimonial religioso-cristão, bastião sacrossanto da nossa tão costumeira Igreja, zeladora dos bons costumes, boas práticas e puritanismos que tão bem lhe conhecemos. E uma ala politíca que teima em não perceber que o mundo já não é assim, que para tantos dos "enlaces" actuais tudo é muito mais ténue, superficial e naturalmente, terá de ser facilitado na sua quebra, quando assim um dos interessados (ou desinteressados) entende, ou mesmo os dois. Que a família, o seu conceito, mudou e cada vez mais se transforma e diversifica; que o casamento e vida miserável que tantas pessoas tiveram e têm, agrilhoadas a essa instituição sacralizada e impossível de quebrar, com toda a imagem e carga negativa que se criou e teria aos olhos dos outros se assim acontecesse, e encoberta nessa capa de felicidade e paz da relação perfeita, com todos os dramas e autênticos atentados psicológicos (e lembro-me sobretudo das mulheres, evidentemente..) que se vivem.
Não perceber, não querer perceber isto, e argumentar desta forma (aliás, à imagem dos mesmos argumentos para diabolizar a legalização do Aborto) como se alguém acordasse uma bela manhã e de forma displicente decidisse, só por desporto, divorciar-se ou fazer um aborto, porque "me apetece"... Ter esta visão ligeira das coisas, das pessoas e do que pensam, vivem e sentem, e insistir no querer zelar e defender o que está certo, o que está "de acordo" com príncipios que estes senhores definem como os correctos e únicos possíveis, esta prepotência de querer puxar para si uma autoridade e influência na vida, cabeça e poder de decisão do cidadão comum a que não têm direito e não devem ter (assentes, logo na instituição que melhor o faz, e de forma absurda e ridícula, a Igreja), numa atitude de Congregação divina e superior, omnisciente, que a todos aconselha e orienta, à imagem do típico "rebanho seguidor" que deve acatar, assumir o erro, e seguir o que está certo. Tudo isto tresanda a moralismo bafiento, a posturas e mentalidades do tempo da outra senhora, ou do outro senhor...
E não restem dúvidas: uma direita com posições e príncipios deste gabarito, estará irremediavelmente condenada ao fracasso, e pior que isso, em nada contribuirá para uma evolução positiva da nossa sociedade...
A maior ironia nesta história, não deixa de ser o actual PSD, partido em que há uma série de "casamentos" infelizes e nitidamente forçados, mas que ninguém é capaz de quebrar (ainda assim, tenho a certeza que Santana Lopes ainda há-de fundar um partido seu, que querem é a minha utopia pessoal...) por falta de coragem ou comodismo. E assim seguem felizes e unidos, até que as eleições os separem... Ámen!
Por outro lado, bem fez Paulo Portas, que chamou a si uma "união de facto" entre ele e o seu PP, muito ao jeito de "família monoparental"...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Como sempre, António Barreto chama a atenção para um tema crucial e de que muito pouca gente se lembra, evita mesmo, mas que no fundo todos sabemos quão existente é, cruel, doloroso e incomodativo, e que nos interessa apenas, isso sim, ignorar e assobiar para o ar, tão pouco fazemos do tanto e tão simples poderíamos fazer. Sabe do que fala, e sobretudo sabe do que é realmente imprescindível falar, do que é humano e essencial, remando contra a maré de comentadores e analistas de futilidades, fait-divers e banalidades.. A ler e reflectir.
.
"Nas últimas décadas, ao mesmo tempo que os cuidados destinados às crianças e aos doentes não cessaram de aumentar, a marginalidade e a solidão dos idosos não parou de crescer. (...) Olhemos para eles, num jardim público, num supermercado, sozinhos ou aos pares, arrastando-se devagar. Por vezes, atrás dos filhos, com sinais no rosto de estarem “a ser passeados”, nem sempre com afecto e vontade suficientes. (...) O tratamento dos idosos é assim a mais séria e mais drástica prova que as sociedades enfrentam. A prova da sua humanidade."
Texto integral aqui

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Instantâneos

1- Vou lendo deslumbrado a "Escola do Paraíso" de José Rodrigues Miguéis;
2- O som (e sobretudo a voz) que me agrada actualmente está aqui;
3- O meu luxo pessoal (considero eu) é mesmo poder acompanhar o "Caderno de Saramago";
4- Fico feliz por saber que ainda há espaço neste mundo para a "evolução civilizacional";
(a propósito de "Mulheres tomam as rédeas do Lipizzano" Hannah Zeitlhofer monta um cavalo Lipizzano na Escola de Equitação Espanhola em Viena. Em 430 anos de existência desta instituição esta é a primeira vez que uma mulher é autorizada a tomar as rédeas de um cavalo desta raça." ver galeria fotos Publico. Tenho a sensação que os Cadernos de Educação para Adultos já chegaram àquelas bandas, graças a Deus!!)
5- Voltei hoje à piscina, como nadador em regime livre e bastante "prego"...
6- E por último, a pergunta que se impõe: "Será que a partir de hoje poderá o comum dos portugueses alegar "problemas técnicos" no atraso da entrega das declarações do IRS?"

sábado, 11 de outubro de 2008

Poema da Aletria

É assim o poema
da aletria.
Amarelos fios
emaranhados
num prato redondo
e branco.
Quatro riscos
poeirentos
de canela
atravessando
o amarelo.
Quanto ao cheiro
e ao sabor,
lamento mas
não ficarão
no poema.
Não cabem em
nenhum verso.
É pena. Mas
falem com as
vossas avós...
Elas saberão
sempre completar
o poema da aletria.

sábado, 4 de outubro de 2008

DINIS MACHADO



Morreu Dinis Machado. Li o enorme, gigantesco livro que é "O que Diz Molero" ainda chavalo, jovem adolescente e foi seguramente das experiências mais marcantes que tive na vida. Está tudo lá, comédia, ironia, e humanidade. Lembro perfeitamente de o ler a altas horas e desatar a rir compulsivamente, sozinho no meu quarto, e achar incrível como um livro, a forma como se consegue criar genialmente, a ponto de com palavras lidas obter reacções deste tipo: Um riso genuíno e divertimento puro - impagável! É um daqueles casos, raros, em que se tivesse apenas feito esta obra em toda a vida, estaria sempre acima de todos nós e justifica por si só a sua existência. E é isso mesmo que acontece. E depois, era mais um daqueles seres com aquela doçura evidente no olhar e uma tranquilidade daqueles que sabem simplesmente "como as coisas funcionam"... Façam-se um favor, o enorme favor, comprem o livro e leiam-no. Também por ele...