sábado, 11 de outubro de 2008

Poema da Aletria

É assim o poema
da aletria.
Amarelos fios
emaranhados
num prato redondo
e branco.
Quatro riscos
poeirentos
de canela
atravessando
o amarelo.
Quanto ao cheiro
e ao sabor,
lamento mas
não ficarão
no poema.
Não cabem em
nenhum verso.
É pena. Mas
falem com as
vossas avós...
Elas saberão
sempre completar
o poema da aletria.

sábado, 4 de outubro de 2008

DINIS MACHADO



Morreu Dinis Machado. Li o enorme, gigantesco livro que é "O que Diz Molero" ainda chavalo, jovem adolescente e foi seguramente das experiências mais marcantes que tive na vida. Está tudo lá, comédia, ironia, e humanidade. Lembro perfeitamente de o ler a altas horas e desatar a rir compulsivamente, sozinho no meu quarto, e achar incrível como um livro, a forma como se consegue criar genialmente, a ponto de com palavras lidas obter reacções deste tipo: Um riso genuíno e divertimento puro - impagável! É um daqueles casos, raros, em que se tivesse apenas feito esta obra em toda a vida, estaria sempre acima de todos nós e justifica por si só a sua existência. E é isso mesmo que acontece. E depois, era mais um daqueles seres com aquela doçura evidente no olhar e uma tranquilidade daqueles que sabem simplesmente "como as coisas funcionam"... Façam-se um favor, o enorme favor, comprem o livro e leiam-no. Também por ele...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Post muito ao estilo "Conta-me como foi..."

Integrado na Colecção Educativa, Série N com o tema "Agricultura, Pecuária, Indústrias Caseiras e Artesanato" inserido na Campanha Nacional de Educação de Adultos promovida em pleno governo salazarista. Uma verdadeira pérola, livrinho editado em 1956, pequenino e maneirinho, uma verdadeira "bíblia" das conservas de todo tipo de fruta e hortaliça afins... tão baratinho e tão (como direi?) ... gostoso! Aqui vai um pequeno excerto, do mais mimoso que encontrei, só pra dar uma ideia da delícia que é esta viagem ao passado e aos tão saudosos "bons costumes"...

"Depois de saber ler, escrever e contar, o que se aprendeu na escola, em menino ou em adulto, precisa de ser completado com uma instrução conveninente e ao alcance de todos.
Dentro desta ordem de ideias, não poderia ficar esquecida a mulher, a dona de casa, na sua principal actividade que é o governo caseiro. E quão difícil e espinhosa é, por vezes, essa missão! É a ela que compete remendar, fazer não sentir as faltas, acarinhar, encorajar, prover o seu celeiro, dentro dos recursos disponíveis, enfim, é dela que depende em grande parte, a felicidade ou infelicidade do lar, evitanto que a sua casa seja, como se ouve dizer tantas vezes, infelizmente: - é uma casa sem pão...onde todos ralham e ninguém tem razão.
É à mulher, principalmente à do campo, que estas páginas são dedicadas, na fé de que elas contribuam para o bem estar familiar e também para o aproveitamento de muita fruta, revelando pois ao "seu homem", ao agricultor, o verdadeiro valor da fruta.
Assim, consegue ainda a mulher levá-lo a olhar, com mais carinho e amor, a árvore que tais frutos deu, e a prodigalizar-lhe certos cuidados e amanhos julgados desnecessários.
Quantas facetas há, pois, neste assunto:
- aproveita-se a fruta;
- comem-se doces que regalam;
- a saúde agradece;
- e até a própria arvorezinha é engrandecida!
E afinal, todas as vantagens por quê? Porque, graças a Deus, já sabem ler!"

Não é simplesmente lindo?? Eu só acrescentaria neste final "graças a Deus, e a Salazar, já sabem ler!!!" Enfim, não consigo dizer mais, enchi-me de súbito duma nostalgia... Mas adoraria ter mais alguns volumes, sobretudo estou curioso da Série A que versa sobre "Doutrina" e Série B "Informação e Propaganda"; Agradece-se a quem tiver em sua posse algum outro volume desta "colecção educativa" que queira ceder, a colaboração e amabilidade de o ofertar, a bem da instrução!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

pés no céu. pintalgaste-me os pés de tinta dourada
escorrida das estrelas que escovavas
com acetona.
23/01/08

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Paraolímpicos e Atraso Mental



A propósito de Jogos Paraolímpicos, lembrei-me hoje duma história que tinha registado há uns tempos. Aqui fica...

"Hoje, ao ouvir a história de João Paulo, tomei conhecimento daqueles aspectos fabulosos e tão característicos da sociedade portuguesa, do vulgo Portugalinho. João Paulo está numa cadeira de rodas, tem menos de 30 anos, uma enorme vontade de viver e de conseguir coisas fantásticas para os deficientes com que contacta na associação desportiva onde jogam basquetebol. A propósito, segundo as entrevistas aos seus colegas de associação, quase todos são deficientes motores por terem sido atropelados. Só um pormenor, concluo eu... Como aquele Sr. que ficou 9 anos, sim 9 anos fechado em casa, simplesmente porque não tinha possibilidade de comprar uma cadeira de rodas para dali sair, nem ninguém que o ajudasse nisso... Outro pormenor, penso cá comigo. Mas o que mais ficou foi outra coisa ainda mais absurda. João Paulo, enquanto estava em casa, tinha por hábito falar com algumas pessoas através do chat do teletexto da RTP. Fez alguns amigos, segundo ele diz, e também encontrou uma namorada. Pois essa namorada conta como ele é uma pessoa maravilhosa, que faz tudo sozinho e que “só não anda. Ainda...” e nota-se-lhe o orgulho com que o diz. Mas a moça, bonita e dita “normal” conta também como muita gente não aceitou e não aceita o facto de ela namorar com um rapaz de cadeira-de-rodas. Conta como, incrivelmente, alguns amigos deixaram de lhe falar, de como na rua muitas pessoas deixaram de a cumprimentar, de como os olham de lado, de como dizem “Coitada, que pena. Lá vai ela com o deficiente. Ainda tão novinha, e bonita...” e coisas do género. É incrível, mas os portugueses conseguem este feito de discriminar, marginalizar, censurar pessoas “normais” que possam namorar, casar, amar, meu deus, amar deficientes. Confesso que fiquei parvo quando ouvi isto, e ainda não concebo nem consigo classificar tamanha possibilidade. Estou demasiado incrédulo para dizer o que quer que seja, mas é impressionante que este país ainda tenha primitivismos desta envergadura. 01/02/08"
Porque hoje em dia, essa coisa dos "Direitos Humanos" tornou-se num slogan fácil e moralista, que nos sai de rajada contra países como a China, tão defensores que somos dos mesmos. Depois, por trás dos bem falantes indignados, aparecem estas "coisinhas" mostrando que o atraso mental ainda é a nossa grande deficiência enquanto povo...

O Grande Acelerador de Hadrões... e a Alice

Pergunto-me: Por que raio aparece sempre uma "Alice" metida ao barulho??

Ainda por cima é suposto criar qualquer coisa como isto... Se houver mini buraco negro, já se sabe de quem será a culpa, não é?! Da Alice...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Fotografia Lee Jeffries



Fotos impressionantes. Há imagens simplesmente indescritíveis. Vidas tão esquecidas e tão belissimamente eternizadas... Não me canso de as ver e rever e sinto-as com uma enorme intensidade, uma avassaladora humanidade. Não deixem de espreitar!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Ás de Trunfo

Se pudesse escolher
gostava de ser
o ás de trunfo
para cortar a direito
na bisca lambida
da vida.

sábado, 16 de agosto de 2008

DORIVAL CAYMMI

Se disserem que foi o cancro de que sofria há 10 anos que o levou... não acreditem. "A esposa, Stella Mares, está internada desde abril com problemas cardíacos e há dez dias entrou em coma. A neta disse que ele ficou muito abalado desde a internação da mulher com quem viveu por 68 anos. "Os últimos dias do meu avô foram muito difíceis, porque minha avó, que ligava para ele todos os dias, parou de ligar e ele percebeu que alguma coisa havia acontecido."
E assim, 10 dias bastaram.

Perde-se a doçura e candura inegualáveis que se espelham bem neste vídeo, ganha-se a música e as palavras de quem cantou o que de realmente importante a vida tem. E o que é que a baiana tem?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Necessidades

Preciso de um canto só meu, preciso da minha poesia, dos meus livros, dos meus discos. Preciso da minha guitarra. Preciso de mim, adormecido num fim de tarde solarengo, tranquilo e infantil, de livro no colo...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Peso & Medida

Finalmente fez-se luz, e percebi agora para que servem os POOCs (Planos Ordenamento da Orla Costeira)... Servem para impedir atentados e crimes incríveis como este. Edifícios de 20 andares quase dentro de água, pesca desenfreada, isso sim, tudo tudo legal.. Agora, distribuir maçazinhas na praia é que não, tenham lá paciência. Está certo, e eu que não percebia, que estúpido!!

PRECONCEITO DE ALUGUER


ALUGA-SE QUARTO A MENINA!
Porque os homens são porcos, feios e maus...
Rais vos parta portugas.

sábado, 9 de agosto de 2008

Eu sou melhor que você - MORENO VELOSO

Todo mundo acha que pode, acha que é pop, acha que é poeta
Todo mundo sempre tem razão, vence sempre e na hora certa
Todo mundo prova sempre pra si mesmo que não há derrota
Todo homem tem voz grossa e tem pau grande e é maior do que o meu, do que o seu, do que o de todos nós
Todo mundo é referência e se compara só pra ver que é melhor
Todo mundo é mais bonito do que eu mas eu sou mais que todos
Todo mundo tem suingue, é feliz, é forte e sabe sambar
Todos querem mas não podem admitir a coexistência do orgulho e do amor porque
Eu sou melhor que você (Boa Viagem)
Eu sou melhor que você mas por favor fique comigo que eu não tenho mais ninguém
Todo mundo diz que sabe e quando diz que não sabe é porque
é charmoso não saber algo que as pessoas já sabem como é
Todo mundo é original, é especial, é o que todos queriam ser
Não basta ser inteligente, tem que ser mais do que o outro pra ele te reconhecer
Todo mundo ganha grana pra dizer que ela não vale nada
Todo mundo diz que é contra a violência e sempre dá porrada
Todos querem se apaixonar sem se arriscar, nem se expor e nem sofrer
Todas querem vida fácil sem ser puta e com reputação
se reprimem e começam a dizer:
Eu sou melhor que você
Mas por favor fique comigo que eu não tenho mais ninguém.


Ou nas palavras de Álvaro de Campos, seria este um "poema em linha recta"...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Assentimento

- Ora homem, assente-se, cum raio!

E lá o fez, não percebendo claramente se assentava ou simplesmente assentia...