Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

José Quitério em entrevista "Pessoal... e transmissível"


José Quitério em entrevista radiofónica a Carlos Vaz Marques, no seu programa "Pessoal... e transmissível" na TSF, para ouvir aqui
A propósito também do Prémio Universidade de Coimbra 2015, que recentemente lhe foi atribuído. 
Foto: Tiago Miranda


Um magnífico registo, numa conversa muito interessante, fresca e que mostra um pouco melhor a figura, que tão pouco conhecemos, deste grande senhor da cultura portuguesa, e da gastronomia em particular. Chega mesmo a revelar alguns "segredos" da sua militância durante anos de crítica gastronómica independente e profundamente conhecedora, agora que a abandonou (pelo menos, na forma publicada) e se sente mais "à vontade". 
Um gravador no bolso da camisa, no qual registava os seus comentários oralmente, sem chamar à atenção. Daí a ausência de cadernos e notas escritas durante a refeição, ou a "mítica" paquidérmica memória que se lhe atribuía. E esta, hein? Elementar, meus caros...

É impressionante a lucidez, a visão sempre muito própria e acertada, por exemplo no "retrato dos artistas chefs quando jovens" ou a propósito do movimento foodie, do Gin e outras "modas que vêm do estrangeiro". 
"A vulnerabilidade das pessoas, por falta de gostos estruturados, para imediatamente adoptarem a primeira coisa que lhes vem do estrangeiro, que é moda." 

"O Português sempre teve um medo terrível de ser ou de parecer ridículo. Mas nas últimas décadas tem outro, que é o medo de parecer provinciano. Portanto, provinciano não se deve ser, deve-se ser cosmopolita... Cosmopolita o que é? É adoptar tudo o que vem do estrangeiro, que é uma coisa extraordinária."


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

"O poema ensina a cair" - Expresso

O projecto do Expresso "O poema ensina a cair" mostrou ao longo do ano poetas portugueses publicados mas desconhecidos. "Uma janela com vista para versos em português, ditos por poetas."

A acompanhar aqui

http://videos.sapo.pt/JqLJJk4E2ZVCOv3ILu2F

"Escreve sempre que precisares de me dizer que há gelo nas tuas mãos" por Margarida Ferra.



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

retrospectivas habituais


Ter ficado sem Robin Williams e Gabriel Garcia Márquez não abona nada nada em favor de 2014.
 Mas tudo bem.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

António Pocinho, sempre.

\ cheque visado



Uma vez concluída a pós-graduação, os cursos de água são promovidos a Recursos Hídricos e os seres humanos passam a ser intitulados de Recursos Humanos. Esta promoção nas suas carreiras não afectará os seus percursos normais: de montante para jusante, entre os homens, e da nascente para a foz, entre os rios.
Dentro dos meus Recursos Poéticos, só tenho a declarar que prefiro as palavras que não acabaram o curso.


António Pocinho in os pés frios dentro da cabeça

sábado, 15 de novembro de 2014

Mais Menos, a obra de Miguel Januário

+- Mais Menos, alter-ego do "artivista" Miguel Januário e face mais visível do seu trabalho. Designer e street artist, é na rua e na paisagem urbana que espelha a sua arte profundamente crítica e irónica e intervém sobretudo com tags ou frases do nosso imaginário, que desconstrói ou subverte de forma genial. 



Uma vasta e magnífica intervenção que vale a pena parar para ver e pensar 
http://www.maismenos.net/


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Capicua "Casa no Campo"

Capicua, "Casa no Campo"

... de Elis Regina aos livros da Anita, um caso sério da nossa música nortenha.

http://www.capicua.pt/

terça-feira, 25 de março de 2014

                                                                                                                 ...
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
...

em "Quase Um Poema de Amor"
Miguel Torga

terça-feira, 4 de março de 2014

Nova entrada na biblioteca - Poemas de Deus e do Diabo, José Régio

Nova entrada na biblioteca. E hoje, como sempre.















Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Um Adeus Português a Fernando Tordo...

Um dos nossos mais recentes emigrantes, Fernando Tordo vai para o Brasil em busca de uma vida com oportunidades, com possibilidades, enfim com futuro. Aos 65 anos, como diz o filho, sozinho e de guitarra na mão, é obra. 

Dá-me uns ares de tragédia, e é mais uma triste inevitabilidade como tantas outras infelicidades do país em que vivemos. Mas de facto trágico seria não termos tido e não continuarmos a ter Fernando Tordo, na sua genialidade artística e dignidade enquanto artista, na sua rectidão e pertinência enquanto português. E não termos o tanto que nos deu, enquanto povo, de cultura e ar fresco em momentos de escuridão, e não se esqueça também isso: que este homem imprimiu bem fundo no ADN português, coisas como a liberdade, o pensamento crítico, a coragem de espírito livre, e que essa é uma herança que não se apagará. E que é bom nunca esquecer. 
E se este país o sufoca, o mirra como a tantos outros, então só ganharemos com a sua partida, porque teremos o que precisamos (e talvez até nem o mereçamos), de mais, de muito mais Fernando Tordo. 
dizia que o país lhe morria
porque fugia do que lhe doía
matando-o por dentro
Fernando Tordo

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

José Quitério, personalidade na gastronomia de sempre...

O grande exemplo e a apuradíssima lucidez aos 71 anos do nosso Larousse Gastronomique em forma de gente, o gigantesco José Quitério que recebe agora justamente a distinção de Personalidade do Ano na Gastronomia 2013 pela revista WINE - A Essência do Vinho. 
Uma figura quase erimítica e mitológica, que não precisa de motores de busca ou Wikipedias, senão dos índices e livros da sua biblioteca pessoal e da sua máquina de escrever. 
Sempre acutilante e crítico com o entusiasmo mediático em torno do universo da gastronomia, diz "Está excessivamente na moda. A palavra gourmet já não quer dizer nada nos dias que correm", citando o Expresso, jornal onde escreve as suas críticas gastronómicas desde 1976.

Leia-se também a propósito esta excelente reportagem sobre críticos gastronómicos
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-vida-dos-criticos-de-gastronomia-1438895

Estou a ler actualmente o seu delicioso "Livro de Bem Comer"  de 1987, e é espantoso também perceber a capacidade e o nível criativo da sua escrita na crónica, muitas vezes profundamente poético e sempre altamente erudito, a fazer jus aos seus ídolos literários pela elevação da sua escrita.  
Pela obra, pela postura e ética, pela contribuição incomensurável à gastronomia portuguesa e sua história, ele até aceitou o prémio, mas será sempre pequeno e insignificante perante tal figurão.  

Notícias aqui:
http://expresso.sapo.pt/jose-quiterio-eleito-personalidade-do-ano-na-gastronomia=f853534
http://mesamarcada.blogs.sapo.pt/revista-wine-premeia-os-melhores-do-535806

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A Caminho do fim?

É giro quando nos podemos começar a citar a nós mesmos, e trago à baila, a propósito de recentes notícias e mexidas no mercado editorial português (de que a recente saída da obra de Saramago da editora Caminho é caso mais recente e sonante), um post meu de Novembro 2008 aqui no blog, altura em que João Ubaldo Ribeiro saía da Dom Quixote. 
O título "Terá começado a deserção?" prenunciava algo que me parecia possível e perigoso com este aglutinar de editoras referenciais portuguesas pelo grupo Leya, que de facto trouxe descontentamento entre vários autores, de diferentes editoras que este grupo juntou. A postura sempre me soou a estratégia selvática de monopolização e eliminação de concorrência pelo método mais simples e óbvio: a aquisição em série de editoras, numa visão mercantilista da área livreira e que permitiria uma gestão fácil do produto, dos autores, das vendas, da promoção dos mesmos, e uma adulteração das regras básicas do mundo editorial. 

Ao fim de 5 anos, temos os resultados - uma generalização de mau-estar e desagrado de vários autores que se têm sucedido. A ver: Mário Carvalho havia já deixado a Caminho para ingressar na Porto Editora que reeditou recentemente a sua obra; Miguel Sousa Tavares sai igualmente com a sua obra (assim como a obra de Sophia Mello Breyner saíra da Caminho) e espelha bem o seu sentimento nesta entrevista ao Público - "a Leya partiu do princípio que juntando várias editoras faziam sinergias e conseguiam fazer melhor, mas isto não é como juntar as salsichas Nobre com as salsichas Aveirense”. Na sua opinião, este grupo “matou a identidade das editoras” que agregou desde a sua fundação, em 2008. “Não creio que o grupo Leya esteja vocacionado para a edição de livros.”

João Tordo também saiu para a Porto Editora, e agora Saramago (que, ainda vivo na altura da compra da Caminho pela Leya, curiosamente demonstrou desagrado juntamente com Lobo Antunes...) deixa a Caminho e Zeferino Coelho, editores de sempre do autor, também para a Porto Editora.

Pelos vistos, percebemos agora que sinergia é diferente de supressão selectiva, e penso até ser um bom sinal esta postura de autores que admiro e que põem a sua obra e a escrita acima de qualquer outro valor, e que não abdiquem da sua identidade parece-me uma louvável constatação. O posicionamento deste grupo Leya dá agora os seus inevitáveis podres frutos e a extinção de editoras que eles vêem como meras marcas dentro da sua lógica empresarial, será o caminho que me parece evidente, numa equação de "leia-se apenas o que se vende, e venda-se o que vende". O resto é carga morta que ficará pelo caminho, azarinho.   

Numa perspectiva mais profunda, é confrangedor o estado a que chegou o nosso sector livreiro, e a propagação de uma linha e lógica de vendas mainstream com uma oferta absurdamente limitada a poucos títulos, a adesão atomizante a pretensos best-sellers estrangeiros de literatura de cordelinho que enchem as prateleiras das nossas livrarias onde se torna uma missão cada vez mais impossível encontrar os nossos geniais autores que deveríamos estar a ler e que deveriam ter o destaque primordial e distintivo que merecem. A bem de nós, da nossa língua e da nossa cultura.  

foto http://abibliofila.blogspot.pt/
Por outro lado, começam a surgir novas investidas, pequenas editoras, pequenos focos de diversidade e vida que na minha opinião irão aumentar, editando novos e interessantes autores, e o público, assim espero, irá em busca deles como sempre, como dantes. 






E que venha de lá a saudosa livraria de rua, de bairro, selectiva na sua oferta, especializada no atendimento, que não tenha corredores de livrinhos dentro de saquinhos de tecido atados com lacinhos que por acaso trazem dentro umas letrinhas, mas que tenham apenas tudo o resto, a essência dos livros e da literatura...

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

tiradas de música - Alfie

"I believe in love, alfie.
Without true love we just exist, alfie.

Until you find the love you've missed you're nothing, alfie.
When you walk let your heart lead the way
And you'll find love any day, alfie, alfie."

Hal David, 1966

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Programa "NOVOS AUTORES" Domingo à 1h na RTP2

O programa "NOVOS AUTORES" da Sociedade Autores é do melhor que se faz actualmente na televisão portuguesa. Como de costume, transmitido na RTP2 ao Domingo a partir da 1h da madrugada (a horas impróprias... merecia muito melhor) e em parceria com a Antena3 (que o transmite também ao Domingo às 10h da manhã).

Moderado pelo enciclopédico Henrique Amaro e pelo Luís Oliveira, ambos "antena3istas", de modo impecável e inteligente, que vão pontuando as conversas sempre com pertinência e tacto, com conhecimento sólido e profundo das matérias, deixando fluir naturalmente os temas e reflexões dos intervenientes: sempre dois autores da música actual e contemporânea, de diferentes áreas e abordagens à arte.

O facto de recorrer exclusivamente a músicos (cantores, compositores) portugueses da actualidade (diria da vanguarda contemporânea), torna a coisa muito interessante, e tem dado um retrato pessoal muito íntimo de todos eles, tem feito perceber os mecanismos da sua criação, da sua obra, da sua forma de pensar e estar na arte e na vida, e trazido intersecções e interacções muito conseguidas entre os dois convidados. 

Uma abordagem nova, fresca e "cheia de sumo" que é óptima de acompanhar, de artistas e pessoas que tenho como grandes referências da nossa música actual (de Samuel Úria, a Jorge Cruz, Sam The Kid a Márcia, Pedro Silva Martins - Deolinda a Tó Trips, enfim...) e que fazem um retrato fiel dos artistas enquanto jovens, e dão conta da diversidade e óptimo momento criativo que atravessa a música portuguesa, como ar fresco e sadio que tanto precisamos nos tempos que correm.

Todos os episódios disponíveis no RTP Play, aqui:

Estado da arte do programa 
Numa iniciativa conjunta entre a RTP2, a Antena 3 e a Sociedade Portuguesa de Autores resulta o programa NOVOS AUTORES, uma série de 12 programas que se traduz num ciclo de conversas que se desdobram num programa de rádio e de televisão. Cada sessão tem a duração de uma hora e é preenchida por uma conversa com dois novos autores, que serão entrevistados por Henrique Amaro e Luís Oliveira.
Autores relacionados com a música portuguesa são convidados a expressar as suas ideias em variados temas, a mostrar a sua atividade, a sua visão do país e do mundo, as suas expectativas e frustrações. O carácter inovador desta parceria e do seu conteúdo tem como objetivo estimular e perceber a música portuguesa como um conceito plural, com várias pistas a seguir e com uma produção que atravessa vários géneros nestes encontros entre criadores e público. Também fica favorecida a contribuição para a divulgação de novos autores e das suas obras numa perspetiva diferente da habitual, ou seja, não se limitando a apresentar apenas os trabalhos mais recentes, mas dando destaque ao processo de criação autoral considerando que os novos tempos oferecem práticas diferentes e cada músico interpreta essas novas ferramentas de modo particular.
Gravações no Auditório Frederico de Freitas da SPA

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O fenómeno das versões cool (fixes) de hits pop mais menos bregas (foleiros) ou o Lado B da Bida e da música

Lembro-me de ver aparecer há uns largos anos na Mtv ou seria no VH1? (1999 mais propriamente, quando a Mtv ainda era um canal de música...),

esta versão incrível pelos Travis do "Baby One More Time" primeiro grande hit da lendária Britney Spears saído nesse ano, e aquilo parecer-me genial pela roupagem dada a uma música pop banal, mas que trazia alguma novidade na ironia ou paródia subjacente à atitude. De qualquer forma, a versão era acústica e até hoje a acho brilhante.

Assim mais antigas, lembro-me por exemplo dos Cake com o "I Will Survive" de Glorya Gainor ou David Byrne com "I Wanna Dance with Somebody" da Whitney Houston.
Neste momento, percebo um certo "movimento" de coisas deste tipo a espalharem-se, com vários artistas ou bandas a trazerem covers muito próprias de músicas ou outros artistas ditos pops (eu lhes chamaria brega pop, ou pop foleiro) que estão nos antípodas do que eles mesmos fazem e produzem. Não sei o nome, ou se já tem até epíteto específico, mas se alguém souber que se pronuncie.

E devo dizer que tenho um especial interesse por isto, e é curioso ver surgir este fenómeno, e me dá um gozo muito particular ver músicas trabalhadas por esses artistas e gosto muito de as ouvir, e levanta-me várias questões: será que as músicas serão realmente interessantes, e é a forma como originalmente se apresentam que não agrada, ou há sempre um preconceito associado? Ou é apenas pela piada, pela surpresa, pelo incomum? Ou será ainda que de facto essas versões melhoram o original, ou a roupagem dada nos soa melhor e nos identificamos mais com ela? 

De facto sempre gostei disto, tendo até criado uma tag aqui no blog dos Lados B, e hoje verifico que são infinitas as possibilidades, com autênticas pérolas, desde Jamie Cullum com esta versão de "Don't Stop the music" da Rihanna ou a Yael Naim com este "Toxic" da Britney Spears (com a nossa Luísa Sobral também a apostar numa versão jazzística ao vivo do tema com direito a efeitos especiais e tudo - aqui)

Por cá, também temos outras verdadeiras maravilhas, com o David Fonseca e a mítica versão em inglês no Gato Fedorento do "Afinal havia outra" de Mónica Sintra. Se bem me lembro, este programa teve aliás uma série de "lados B" de outros artistas portugueses, desde Clã a Blind Zero. David Fonseca costuma até fazer umas brincadeiras em concerto, como esta versão de "Umbrella".

Depois temos a magnífica, deslumbrante versão da "Quinta Sinfonia" de Paco Bandeira pelo grande Samuel Úria, e enfim, a lista nacional e internacional poderia continuar quase infinitamente, e na minha opinião, com forte tendência a aumentar, o que em si, não é bom nem mau, apenas diferente...

domingo, 22 de dezembro de 2013

O "Lenço Enxuto" de Samuel Úria ou a grande poesia do pequeno mundo...

Encantador e impressionante, é incrível a beleza desta canção e deste poema. Sem palavras.
Do disco "O Grande Medo do Pequeno Mundo" Flor Caveira.


Lenço Enxuto (Samuel Úria)

Empresta-me os teus olhos uma vez
Que os meus não são de gente, apenas rapaz.
É só o tempo de me aperceber
Da visão que se turva para ser de mulher.

Empresta-me uma chávena de sal
E mostra-me a receita do caldo lacrimal.
É só o tempo de te convencer
Que nem precipitado consigo chover. 

Não é um adágio que nos persegue,
Que um homem só não chora porque não consegue.

Empresta-me esse efeminado luto;
Ser masculino é ter-se o lenço enxuto.
É só o tempo de me maquilhar
De pranto transparente (a cor de mulher).

Não nasci pedra, nasci rapaz
Que um homem só não chora por não ser capaz.

Os homens fazem fogo, com dois paus eles fazem fogo.
Por troca ensino-te a queimar.

Tu és corrente e eu finjo mar
Que um homem, para que chore, não pode chorar.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Festival Cinema Luso-Brasileiro (1 a 8 Dez) em Sta. Maria da Feira

Começou no Domingo  e decorre até ao próximo (dia 8 Dez) um dos mais fascinantes projectos residentes em Santa Maria da Feira, já na 17 ª Edição - o Festival de Cinema Luso-Brasileiro

É impressionante a longevidade de um festival deste tipo, desta constância de qualidade e originalidade renovada a cada ano. Tive oportunidade de ir apenas a duas ou três edições mas percebo a dimensão que tem e o interesse que desperta no meio, como uma mais-valia para a minha cidade, sempre com importantes presenças do cinema luso e brasileiro e espalhando "Castelinhos" pelos dois países. Este ano conta com homenagem a Joaquim Sapinho, numa retrospectiva da sua obra. 

Valerá a visita para locais e forasteiros, isso é certo!

Mais informações aqui:

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

a incapacidade de ser verdadeiro

"A Incapacidade de Ser Verdadeiro" - Carlos Drummond de Andrade por Antonio Abujamra

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Gobi Bear, ou o ursinho português.

Gobi Bear, o ursinho que vem de Guimarães, é um projecto de banda de um homem só (ou de um só homem? qualquer coisa assim...) do jovem vimaranense Diogo Alves Pinto. 
Com passagem por Coimbra, onde gravou as primeiras demos, lançou neste mês de Novembro o seu primeiro álbum: Inorganic Heartbeats & Bad Decisions pela Murmürio Records, editora independente de Coimbra, vejam bem!

Com influências assumidas e perceptíveis de Eels, Bon Iver a José Mário Branco ou Sérgio Godinho, apresenta uma sonoridade limpa que nos transporta para ambientes macios, nuvens de algodão doce ou insufláveis aconchegantes, piscinas com ursinhos de peluche, não sei se me faço entender. Enfim, universos quentes e fofos, mas nunca entediantes, antes complexos e depurados, belos e tocantes.  
Mais um projecto muito interessante e a acompanhar com atenção, com muita qualidade e potencial para crescer e expandir horizontes, este ursinho merece destaque e amigos... 
Entrevista aqui
Site aqui (onde se pode comprar o álbum em formato digital ou em cd)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Stay on the wild side...

Acho que cheguei a Lou Reed através desta música, num videoclip onde ele aparecia vestido de galinha. E acho que é uma boa maneira de chegar a Lou Reed, ainda hoje...

Modern Dance, do disco "Ecstasy" de 2000.
...Maybe I'm not cut out for city life
the smell of exhaust, the smell of strife
and maybe you don't wanna be a wife
it's not a life being a wife...

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"A Máfia senta-se à Mesa - histórias e receitas da onorata societá" de Jacques Kermoal e Martine Bartolomei






Tinha trazido este livro da feira do livro já no remoto e saudoso ano de 2009 (quando ainda se fazia na Praça da República) por 2,5€, mais uma daquelas pechinchas perdidas pelos amontoados 
de livros à espera de olho cirúrgico. Ainda andam por aí alguns exemplares, que eu sei. 
Por coisas da vida, apenas tinha folheado aqui e ali, mas só agora li "A Mafia Senta-se à Mesa - histórias e receitas da Onorata Societá" com a devida atenção.

A originalidade do livro está na abordagem à gastronomia italiana e essencialmente siciliana, partindo do conhecimento acerca da máfia e dos seus principais actores, e de acontecimentos que a caracterizam ao longo da sua existência. Sempre numa perspectiva jogada à mesa, através do relato de encontros em que o acto de comer está presente de forma vincada, sendo um aspecto cultural profundamente enraizado no seu modo de estar e a que estes personagens dedicavam ritualidade, respeito e dedicação. É à mesa que, nestas organizações, muito se resolve, que muito se discute e decide, e também se percebe como a alimentação e a mesa servem quase sempre como veículo de emoções, vontades e expressam sentimentos ou reflectem e estabelecem patamares de poder, balizando as relações de forma subtil, revelando verdades acerca dos seres.

À mesa os anfitriões presenteiam, oferecem a sua generosidade, na forma mais pura ou nobre (ser o próprio a cozinhar a refeição é o exponencial máximo desse privilégio) mas também podem mostrar o reverso, subjugando, humilhando e inferiorizando o outro (mesmo quando esse outro possa ser Mussolini ou Frank Sinatra...) em situações profundamente confrangedoras e desleais. 
Os relatos têm por base a investigação jornalística feita pelos autores e decorrem ao longo da história desta sociedade mafiosa, com o enquadramento acerca dos participantes e do motivo de estarem juntos "à mesa" naquelas circunstâncias, sempre com a descrição pormenorizada do que foi a sua ementa, seguindo-se a das receitas que a constituem e vinhos que as acompanharam.
Aqui, os maus e vilões pousam a metralhadora e a soqueira para agarrar com requinte de verdadeiro gourmand, a faca e garfo e já agora, o copo de vinho. Ele há coisas!
  
Editorial Teorema
210págs
PVP: 13€